Exu, da Grande Rio. Foto: Divulgação / RioTur
A Festa de Olojá, Senhor do Mercado passa a ocupar lugar de destaque na cena cultural de Salvador. Com a sanção da Lei nº 9.892/2025, a celebração foi oficialmente incluída no calendário de eventos do município, reafirmando a centralidade das tradições afro-baianas na identidade cultural da capital.
Dedicada a Exu, orixá associado ao comércio, à comunicação e à abertura de caminhos, a festa será realizada anualmente no primeiro fim de semana de março, na Feira de São Joaquim.
Mais do que um espaço de comércio, a Feira de São Joaquim é um território simbólico da cultura popular soteropolitana, onde saberes ancestrais, práticas religiosas e expressões artísticas convivem no cotidiano.
A escolha do local como sede oficial da festa dialoga diretamente com o significado de Olojá, senhor dos mercados, e com a história construída por gerações de feirantes que mantêm viva a herança cultural afro-baiana.
A proposta, de autoria do vereador João Cláudio Bacelar (Podemos), reconhece a Festa de Olojá como manifestação cultural e religiosa de relevância para a cidade.
Em nota, o parlamentar destacou que a celebração simboliza a força do povo feirante e a presença de Exu como elemento fundamental da dinâmica social, cultural e econômica da cidade.
Publicada no Diário Oficial do Município, a lei entrou em vigor em 11 de novembro e reforça o compromisso com a preservação das manifestações culturais que fazem parte da memória e do cotidiano da capital baiana.
Exu é uma das entidades mais conhecidas e, ao mesmo tempo, mais estigmatizadas das religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.
No imaginário popular, influenciado por preconceitos históricos e pela intolerância religiosa, ele é muitas vezes associado ao mal ou ao diabo. Contudo, dentro das tradições afro-brasileiras, Exu ocupa um papel fundamental como orixá ligado à comunicação, ao movimento e à abertura de caminhos.
Originário da tradição iorubá, Exu é considerado o mensageiro entre os homens e os outros orixás. Nenhum pedido ou oferenda chega às divindades sem passar por ele, o que o torna indispensável nos rituais. Por isso, costuma ser saudado no início das cerimônias.
É também um orixá ligado à vitalidade, à energia e à transformação, características que se refletem em sua imagem de guardião das encruzilhadas e dos caminhos.
A representação de Exu varia conforme cada tradição. No Candomblé, ele é visto como uma divindade complexa, associada tanto à fertilidade quanto à justiça.
Já na Umbanda, sua imagem é muitas vezes ligada às linhas de entidades conhecidas como Exus e Pombagiras, espíritos que atuam na proteção, na quebra de demandas e na defesa dos fiéis.
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