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Festa dedicada a Exu passa a integrar oficialmente o calendário cultural de Salvador

A proposta, de autoria do vereador João Cláudio Bacelar (Podemos), reconhece a celebração como manifestação cultural e religiosa de relevância para a cidade.

Cami Cardoso

17 de dezembro de 2025 às 08:06   - Atualizado às 08:40

Exu, da Grande Rio.

Exu, da Grande Rio. Foto: Divulgação / RioTur

A Festa de Olojá, Senhor do Mercado passa a ocupar lugar de destaque na cena cultural de Salvador. Com a sanção da Lei nº 9.892/2025, a celebração foi oficialmente incluída no calendário de eventos do município, reafirmando a centralidade das tradições afro-baianas na identidade cultural da capital.

Dedicada a Exu, orixá associado ao comércio, à comunicação e à abertura de caminhos, a festa será realizada anualmente no primeiro fim de semana de março, na Feira de São Joaquim.

O local da celebração

Mais do que um espaço de comércio, a Feira de São Joaquim é um território simbólico da cultura popular soteropolitana, onde saberes ancestrais, práticas religiosas e expressões artísticas convivem no cotidiano.

A escolha do local como sede oficial da festa dialoga diretamente com o significado de Olojá, senhor dos mercados, e com a história construída por gerações de feirantes que mantêm viva a herança cultural afro-baiana.

A proposta

A proposta, de autoria do vereador João Cláudio Bacelar (Podemos), reconhece a Festa de Olojá como manifestação cultural e religiosa de relevância para a cidade.

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Em nota, o parlamentar destacou que a celebração simboliza a força do povo feirante e a presença de Exu como elemento fundamental da dinâmica social, cultural e econômica da cidade.

Publicada no Diário Oficial do Município, a lei entrou em vigor em 11 de novembro e reforça o compromisso com a preservação das manifestações culturais que fazem parte da memória e do cotidiano da capital baiana.

Exu

Exu é uma das entidades mais conhecidas e, ao mesmo tempo, mais estigmatizadas das religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.

No imaginário popular, influenciado por preconceitos históricos e pela intolerância religiosa, ele é muitas vezes associado ao mal ou ao diabo. Contudo, dentro das tradições afro-brasileiras, Exu ocupa um papel fundamental como orixá ligado à comunicação, ao movimento e à abertura de caminhos.

Originário da tradição iorubá, Exu é considerado o mensageiro entre os homens e os outros orixás. Nenhum pedido ou oferenda chega às divindades sem passar por ele, o que o torna indispensável nos rituais. Por isso, costuma ser saudado no início das cerimônias.

É também um orixá ligado à vitalidade, à energia e à transformação, características que se refletem em sua imagem de guardião das encruzilhadas e dos caminhos.

A representação de Exu varia conforme cada tradição. No Candomblé, ele é visto como uma divindade complexa, associada tanto à fertilidade quanto à justiça.

Já na Umbanda, sua imagem é muitas vezes ligada às linhas de entidades conhecidas como Exus e Pombagiras, espíritos que atuam na proteção, na quebra de demandas e na defesa dos fiéis.

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