Marcha para Exu no Recife. Foto: Divulgação
O Recife recebeu no domingo, 24 de agosto, a primeira edição da Marcha para Exu em Pernambuco, um ato que buscou reforçar o combate ao preconceito religioso e dar visibilidade às tradições de matriz africana.
Com o lema “Exu não é o diabo”, a caminhada saiu do Marco Zero e seguiu pelas ruas do bairro do Recife até a Praça do Arsenal, reunindo praticantes e simpatizantes da umbanda, do candomblé e de outras religiões.
O evento trouxe como destaque o desfile de bonecos gigantes representando os orixás que chamaram a atenção de quem acompanhava o O clima foi de celebração e também de afirmação da liberdade de culto.
A escolha da data não foi aleatória. De acordo com Renato Fonseca, criador da página “Macumba Ordinária” e idealizador da marcha no Recife, o dia 24 de agosto é uma das datas em que Exu é cultuado por ser considerado um período de grande concentração de energias.
Renato Fonseca explicou ainda que Exu é o orixá da comunicação, responsável por abrir e fechar caminhos e por levar mensagens aos outros orixás. Ele ressaltou que as religiões de matriz africana não trabalham com a ideia de inferno ou demônios, mas sim com a valorização da natureza e de suas forças.
A marcha realizada no Recife teve inspiração na experiência de São Paulo, onde o movimento acontece desde 2023. A proposta é consolidar o ato como um espaço de resistência, mas também de esclarecimento, já que parte do preconceito enfrentado por essas religiões nasce da desinformação.
A caminhada buscou mostrar que Exu não representa figuras associadas ao mal, mas sim um orixá fundamental dentro das tradições afro-brasileiras.
Durante o trajeto, grupos de música, cânticos e manifestações culturais deram o tom do encontro. A presença de calungas representando diferentes versões de Exu também reforçou a diversidade de interpretações dentro das tradições religiosas.
O ato contou com apoio de religiosos, militantes culturais e pessoas que defendem a liberdade de expressão da fé. O encontro reforçou que, para além da prática religiosa, a marcha também cumpre um papel social, já que denuncia o racismo religioso e abre espaço para o diálogo com a sociedade.
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