Autor evangélico Philip Yancey. Foto: Reprodução/philpyancey.com
Um dos autores evangélicos mais influentes do cenário cristão, Philip Yancey anunciou nesta semana que vai se aposentar da escrita e de palestras após revelar que manteve, durante oito anos, um relacionamento extraconjugal com uma mulher também casada.
O anúncio veio acompanhado de um pedido público de perdão e de uma reflexão pessoal sobre fé, casamento e responsabilidade moral.
Aos 76 anos, Yancey publicou um comunicado por meio da revista Christianity Today, publicação na qual colaborou por décadas e que ocupa posição central no evangelicalismo tradicional dos Estados Unidos. No texto, o escritor reconheceu que sua conduta contrariou de forma direta os valores que sempre defendeu publicamente. Segundo ele, o relacionamento causou dor profunda ao marido da mulher envolvida e afetou duas famílias.
Yancey afirmou que não dará mais detalhes sobre o caso por respeito às pessoas atingidas pela situação. A decisão de se afastar definitivamente da vida pública marca o encerramento de uma carreira que atravessou mais de cinco décadas e influenciou milhões de leitores ao redor do mundo.
Autor de livros traduzidos para 49 idiomas, Philip Yancey vendeu mais de 20 milhões de exemplares ao longo da carreira, de acordo com sua biografia oficial. O alcance de sua obra ultrapassou fronteiras religiosas e nacionais, com leitores em diferentes tradições cristãs. O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, também evangélico e natural da Geórgia, chegou a citar Yancey como seu autor moderno favorito.
Entre suas obras mais conhecidas estão O Jesus que eu nunca conheci e O que há de tão incrível na graça?, lançadas na década de 1990. Os dois livros alcançaram grande repercussão e receberam o prêmio de Livro Cristão do Ano, concedido pela Evangelical Christian Publishers Association. Em 2023, a mesma entidade reconheceu Yancey com um prêmio pelo conjunto de sua contribuição à igreja e à sociedade.
A influência de seus escritos permanece evidente no meio evangélico. Ed Stetzer, reitor da Talbot School of Theology, afirmou que os textos de Yancey sobre Jesus moldaram o pensamento de muitos cristãos de forma profunda, mesmo quando não percebida conscientemente. Segundo ele, a plataforma construída pelo autor se baseou na sinceridade, na honestidade intelectual e no enfrentamento de questões difíceis.
Yancey iniciou sua trajetória nos anos 1970, escrevendo para a revista Campus Life, voltada ao público jovem cristão, da qual mais tarde se tornou editor. Em 1983, passou a assinar uma coluna fixa na contracapa da Christianity Today, onde permaneceu por 26 anos. Durante esse período, a revista se consolidou como a principal voz do evangelicalismo tradicional nos Estados Unidos, antes das transformações políticas e institucionais ocorridas na última década.
Radicado no Colorado desde o início dos anos 1980, Yancey também se destacou como palestrante em igrejas e conferências internacionais. O público reconhecia seu estilo calmo, a fala pausada e a disposição para tratar de temas sensíveis sem simplificações.
Em 2021, o autor publicou um livro de memórias no qual revisitou uma infância marcada pela pobreza, pela rigidez religiosa e pela morte precoce do pai. Ele descreveu um ambiente dominado pelo medo e por uma fé fundamentalista. No livro, Yancey revelou que o pai recusou tratamento médico contra a poliomielite por acreditar que Deus o curaria, decisão que contribuiu para sua morte. O autor só descobriu essa história já adulto, durante a faculdade.
Na vida madura, Yancey passou a defender uma visão do cristianismo centrada na misericórdia e na compaixão, em oposição ao discurso focado na condenação eterna. Essa abordagem o tornou uma referência para leitores que buscavam conciliar fé, dúvidas e experiências humanas complexas.
Casado há 55 anos com Janet Yancey, o autor revelou em 2023 que recebeu diagnóstico de Parkinson. Ele escreveu sobre o processo de adaptação à doença e sobre o papel da esposa como cuidadora. Junto ao anúncio da aposentadoria, Janet divulgou uma declaração pública na qual reafirmou o compromisso com o casamento e reconheceu a dificuldade humana do perdão diante do trauma vivido.
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