Em postagens nas redes sociais, o religiosis afirmou que o fenômeno não teria sido apenas meteorológico, mas uma "retaliação" ligada a uma suposta batalha entre forças do bem e do mal.
'Obra do Reino das Trevas', diz líder religioso sobre raio que atingiu caminhada do Nikolas Ferreira Foto: Reprodução
Um raio atingiu 11 manifestantes durante a caminhada “Acorda Brasil”, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília, e ganhou repercussão nacional não apenas pelo acidente, mas também pelas interpretações espirituais do pastor Lamartine Posella.
Em postagens nas redes sociais, Posella afirmou que o fenômeno não teria sido apenas meteorológico, mas uma “retaliação” ligada a uma suposta batalha entre forças do bem e do mal.
O incidente aconteceu durante a mobilização organizada por apoiadores do parlamentar, que reuniu manifestantes em um ato com forte conotação religiosa e política. Pouco depois da divulgação do ocorrido, Posella se pronunciou, oferecendo uma interpretação espiritual para o caso.
Segundo ele, embora o episódio possa parecer apenas um fenômeno climático para quem observa “com olhos naturais”, aqueles que possuem discernimento espiritual compreenderiam que houve um confronto direto com o que chamou de “Reino das Trevas”.
De acordo com o pastor, o clamor coletivo, marcado por orações e arrependimento em favor da nação, teria incomodado estruturas espirituais malignas.
“Toda vez que um povo se levanta em oração, algo acontece no mundo espiritual”, afirmou Posella, reforçando a ideia de que manifestações religiosas públicas provocam reações sobrenaturais. Para ele, o raio seria uma resposta direta a esse movimento.
Em sua argumentação, o líder religioso traçou um paralelo com o evento cristão “The Send”, realizado em 2020, quando uma forte tempestade atingiu a cidade de São Paulo após uma grande mobilização de fiéis.
Na visão de Posella, assim como naquele episódio, o fenômeno climático atual indicaria que forças contrárias reagiram ao avanço da igreja. Ainda assim, ele destacou que Deus permaneceria no controle e que o episódio seria, na verdade, um sinal de que o movimento estaria no “caminho certo”.
Apesar da gravidade do ocorrido, que deixou manifestantes feridos, Posella incentivou Nikolas Ferreira e os participantes do ato a não recuarem. Em suas declarações, o pastor defendeu que o momento exige ainda mais jejum, oração e proclamação da fé cristã, afirmando que “nenhuma retaliação é maior do que o poder da cruz”.
As declarações repercutiram nas redes sociais e reacenderam debates sobre a crescente associação entre religião e política no Brasil. A fala do pastor se insere em uma narrativa de “guerra espiritual” frequentemente adotada por setores da direita conservadora, que interpretam acontecimentos naturais ou adversos como sinais sobrenaturais ligados à disputa política e ideológica no país.
Especialistas apontam que esse tipo de discurso atua como um forte elemento de mobilização. Ao transformar acidentes ou eventos climáticos em provas de enfrentamento espiritual, lideranças religiosas reforçam a identidade de seus seguidores como participantes de uma luta que ultrapassa o campo político tradicional.
Nesse contexto, o embate deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser apresentado como um confronto absoluto entre o “bem” e o “mal”, no qual qualquer adversidade pode ser reinterpretada como confirmação de propósito e legitimidade do movimento.
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