Bob Dylan e o papa Leão XIV. (Foto: Vatican Media)
O papa Leão XIV recebeu, nesta quarta-feira, 4 de novembro, no Palácio Apostólico, no Vaticano, o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, considerado um dos nomes mais influentes da história da música.
O encontro foi breve e marcado por uma troca de presentes entre o artista e o pontífice: o músico entregou um exemplar de sua autobiografia, enquanto recebeu um terço das mãos do líder da Igreja Católica.
Conhecido mundialmente pelo nome artístico de Bob Dylan, Robert Allen Zimmerman, de 85 anos, está em Roma para uma apresentação marcada para esta quinta-feira (5), no Palazzo dello Sport.
O show integra a etapa de outono da turnê Rough and Rowdy Ways Tour, que também passou pelas cidades italianas de Milão e Bolonha.
Durante a audiência, os dois conversaram brevemente enquanto estavam sentados à mesa. Dylan apareceu vestindo um moletom preto com capuz. O encontro também foi marcado pela entrega de exemplares do livro Chronicles – Volume 1, autobiografia do cantor publicada nos Estados Unidos e em outros países.
A reunião aproxima novamente o artista de um líder da Igreja Católica, em uma relação que já teve um capítulo histórico em 1997, quando Dylan participou de um evento religioso diante do papa João Paulo II.
A visita ao Vaticano não representa o primeiro encontro de Bob Dylan com um pontífice. Em 1997, o cantor foi convidado a participar do XXIII Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Bolonha, na Itália. Na ocasião, ele se apresentou ao lado de outros artistas diante de João Paulo II e de aproximadamente 300 mil jovens.
Um dos momentos mais lembrados daquela participação aconteceu depois que Dylan interpretou três de suas canções mais conhecidas, entre elas Knockin’ on Heaven’s Door.
Após a apresentação, o músico retirou o chapéu de caubói, subiu os degraus do palco papal e cumprimentou pessoalmente o pontífice polonês, trocando algumas palavras com ele.
O encontro ganhou ainda mais destaque por causa de uma referência feita por João Paulo II a uma das músicas do artista. Durante seu discurso aos jovens, o papa citou um trecho de Blowin’ in the Wind, canção lançada por Dylan em 1963 e conhecida pelas reflexões sobre liberdade, paz e dignidade humana.
Na ocasião, João Paulo II mencionou a pergunta presente na letra: “Tu me perguntas: quantas estradas um homem deve percorrer antes que possa ser chamado de homem?”.
Em seguida, o pontífice apresentou sua própria resposta, relacionando a reflexão da música à fé cristã: “Uma só. Existe apenas um caminho para o homem, e esse caminho é Jesus Cristo”.
A referência transformou a participação do cantor no congresso em um episódio marcante da relação entre música e religião, especialmente pela utilização de uma composição conhecida mundialmente em uma mensagem dirigida à juventude católica.
A passagem de Bob Dylan por Roma também integra a agenda internacional de apresentações da Rough and Rowdy Ways Tour, turnê associada ao álbum lançado pelo artista em 2020.
Os concertos têm características próprias, entre elas a proibição de gravações com telefones celulares. A medida busca preservar a experiência do espetáculo e evitar que o público acompanhe a apresentação por meio das telas dos aparelhos.
Com uma carreira iniciada nos anos 1960, Dylan construiu uma trajetória marcada pela influência na música popular e pela força de suas composições.
Em 2016, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, reconhecimento concedido pela Academia Sueca por sua contribuição à criação de novas expressões poéticas dentro da tradição da música norte-americana.
O encontro com Leão XIV acrescenta mais um capítulo à trajetória pública do artista, que, quase três décadas depois de sua apresentação diante de João Paulo II, voltou a ser recebido por um líder da Igreja Católica.
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