A declaração reforça a posição do Vaticano de manter o entendimento estabelecido em 2023, quando Francisco autorizou sacerdotes a concederem bênçãos informais a casais homoafetivos
Papa Leão XIV fala sobre bençãos a casais homossexuais Foto: Reprodução
O papa Leão XIV afirmou em abril deste ano, e voltou a repercutir, que não pretende ampliar as medidas adotadas pelo papa Francisco em relação às bênçãos destinadas a casais do mesmo sexo. Durante conversa com jornalistas no voo de retorno a Roma, o pontífice indicou que qualquer avanço além das normas atualmente em vigor poderia gerar divisões dentro da Igreja Católica.
A declaração reforça a posição do Vaticano de manter o entendimento estabelecido em 2023, quando Francisco autorizou sacerdotes a concederem bênçãos informais a casais homoafetivos. A permissão, no entanto, foi limitada a ocasiões fora de celebrações litúrgicas e sem qualquer caráter ritual ou equiparação ao sacramento do matrimônio.
Ao comentar o tema, Leão XIV destacou que considera prudente preservar a orientação já existente.
Para ir além disso hoje, acho que o assunto pode causar mais desunião do que unidade”, disse.
A decisão anunciada por Francisco durante seu pontificado provocou ampla repercussão entre lideranças católicas ao redor do mundo. Enquanto parte da Igreja recebeu a medida como um gesto de acolhimento pastoral, outros setores manifestaram resistência. Em diversos países, especialmente no continente africano, bispos decidiram não aplicar a orientação autorizada pela Santa Sé.
Durante a entrevista, Leão XIV também respondeu a questionamentos sobre a intenção do cardeal alemão Reinhard Marx de formalizar bênçãos para casais do mesmo sexo em sua diocese. Sem mencionar o religioso diretamente, o papa lembrou que o Vaticano já havia orientado a Conferência Episcopal Alemã a não instituir ritos específicos para esse tipo de celebração.
“A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais”, afirmou.
Além de abordar o tema das bênçãos, o pontífice defendeu que o debate sobre a missão da Igreja não fique restrito às questões ligadas à ética sexual. Segundo ele, existem desafios sociais que também devem ocupar lugar central nas reflexões e na atuação da instituição.
“Temos a tendência de pensar que quando a Igreja está falando sobre moralidade, que a única questão de moralidade é sexual”, disse ele. “Na realidade, acredito que há questões muito maiores e mais importantes, como justiça, igualdade e liberdade de homens e mulheres''.
Leão XIV ressaltou que preservar a unidade da Igreja Católica, que reúne cerca de 1,4 bilhão de fiéis em todo o mundo, é uma prioridade de seu pontificado. Para o papa, esse objetivo passa pelo equilíbrio entre a manutenção da doutrina e o diálogo sobre temas que geram diferentes interpretações entre os católicos.
Atualmente, a doutrina da Igreja Católica ensina que as relações sexuais fora do casamento entre um homem e uma mulher são consideradas pecado. Ao mesmo tempo, orienta que pessoas com atração pelo mesmo sexo sejam acolhidas com respeito e vivam em castidade, entendimento que permanece inalterado mesmo após a autorização para bênçãos pastorais informais concedida durante o pontificado de Francisco.
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