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Padre é condenado a prisão por furtar mais de 600 celulares doados à hospital; multa é de R$ 525 mil

Um ex-assistente do religioso, apontado como participante do esquema, recebeu pena de 4 anos, 7 meses e 16 dias de reclusão, além do pagamento de multa.

Gabriel Alves

26 de fevereiro de 2026 às 12:20   - Atualizado às 12:20

Padre Egídio de Carvalho Neto, que foi condenado.

Padre Egídio de Carvalho Neto, que foi condenado. Foto: Paróquia Santo Antônio de Lisboa/Redes Sociais/Reprodução

A Justiça da Paraíba condenou o padre Egídio de Carvalho Neto a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão pelo furto de mais de 600 celulares doados pela Receita Federal do Brasil ao Hospital Padre Zé, instituição vinculada à igreja administrada por ele em 2023. A decisão foi assinada em 13 de fevereiro, mas divulgada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) apenas na quarta-feira, 25 de fevereiro.

Um ex-assistente do religioso, apontado como participante do esquema, recebeu pena de 4 anos, 7 meses e 16 dias de reclusão, além do pagamento de multa. Ambos deverão iniciar o cumprimento da pena em regime semiaberto.

A sentença também determina que os condenados ressarçam R$ 525 mil ao Instituto São José, responsável pela manutenção do hospital, e à Arquidiocese da Paraíba. O montante será atualizado com correção monetária a partir da data do crime.

O padre é réu em outras 11 ações que tramitam na Justiça estadual. Ele foi preso preventivamente em novembro de 2023, no âmbito da Operação Indignus, deflagrada no mês anterior para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos no Instituto São José, no Hospital Padre Zé e na Ação Social Arquidiocesana, em João Pessoa.

Desde abril de 2024, Egídio cumpre prisão domiciliar por motivos de saúde. Ele está em tratamento contra um câncer.

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De acordo com as investigações, os valores que deveriam ser aplicados no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade e na distribuição de alimentos à população em situação de rua teriam sido direcionados para a aquisição de imóveis e bens de luxo registrados em nome do padre e de terceiros.

Falso bispo

A Arquidiocese de Olinda e Recife através do Vicariato da Soledade, por meio do padre Fábio Paz, divulgou, no último sábado, 22 de fevereiro, uma nota se posicionando sobre a realização de um batismo na Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, localizada na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, 752, no bairro das Graças, área central do Recife.

Apesar da nota de esclarecimento não revelar a data do batismo e o nome da pessoa, o site Portal de Prefeitura obteve a informação do homem que se apresenta como bispo, sem possuir, contudo, vínculo canônico com a Igreja Católica Apostólica Romana e ter realizado o sacramento.

Ele se chama “Dom” Rodrigo H.R. da Silva, que apesar de se vestir como se bispo fosse, faz parte uma categoria de sacerdote intitulada como sedevacantista formada por católicos tradicionalistas que acreditam que a cátedra de São Pedro está vazia e que os papas, desde o concílio Vaticano II, são apóstatas ou inválidos.

Tal prática por quem não está em comunhão com a Igreja, especialmente quando realizada em templo católico, configura ato gravemente ilícito, por violar a disciplina sacramental e a ordem eclesial, diz o documento.

No comunicado, a Arquidiocese Esclarece ainda que o sacerdote responsável pelo templo não tinha conhecimento de que o celebrante estivesse vinculado a posições sedevacantistas. É forçoso, contudo, reconhecer que teria sido necessária maior averiguação prévia no âmbito administrativo e da secretaria paroquial, conforme recomenda a prudência pastoral em situações semelhantes. A Arquidiocese reafirma que adotará as medidas necessárias para que situações dessa natureza não mais se repitam.

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