Música gospel vai se tornar patrimônio brasileiro após anúncio de decisão de Lula Foto: Ricardo Stuckert/Flickr
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que pretende assinar, na próxima semana, um decreto que reconhece a música gospel como patrimônio cultural brasileiro. A declaração foi feita na quarta-feira, 17 de dezembro, durante a última reunião ministerial do ano, realizada na Granja do Torto, residência oficial da Presidência da República.
O anúncio ocorreu em tom descontraído, enquanto Lula se dirigia ao advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo governo para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e que ainda aguarda sabatina no Senado. Evangélico, Messias foi citado pelo presidente em meio à fala.
“Além de ser ministro da Suprema Corte, poderá cantar música gospel no Planalto”, disse Lula, arrancando risos dos ministros presentes.
Apesar do tom informal, a medida tem peso político e simbólico. O decreto surge em um momento em que o governo busca ampliar o diálogo com o segmento religioso, especialmente o público evangélico, historicamente mais resistente ao petista.
Dados da mais recente pesquisa PoderData, divulgada também nesta quarta-feira, indicam que a relação do governo com os evangélicos segue desgastada. Entre esse grupo, 66% desaprovam a gestão Lula, enquanto apenas 29% aprovam o governo.
Entre os católicos, a situação é mais equilibrada, mas houve piora recente. A aprovação caiu de 51% em setembro para 48% em dezembro, enquanto a desaprovação subiu para 44%.
O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 15 de dezembro de 2025, com 2.500 entrevistas, e margem de erro de dois pontos percentuais.
Paralelamente ao anúncio do decreto, o governo tem apostado em outras estratégias de aproximação com o público cristão. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, passou a atuar diretamente como interlocutora com lideranças evangélicas.
Nos últimos meses, Janja tem participado de cultos e encontros religiosos, com foco especial no público feminino, onde apresenta programas sociais do governo federal. A articulação conta com o apoio da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo que esteve alinhado à campanha de Lula em 2022.
A iniciativa reforça a tentativa do Planalto de reduzir a rejeição no segmento religioso e ampliar pontes políticas em um campo considerado estratégico para o governo.
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