A tradição reúne devotos que levam presentes como bonecas, bolos e doces. Os objetos são deixados como demonstrações de carinho, agradecimento e devoção.
02 de novembro de 2026 às 19:42 - Atualizado em 03 de novembro de 2026 às 00:01
Foto: Reprodução /Redes Sociais
O Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2), levou milhares de pessoas aos cemitérios da Região Metropolitana do Recife (RMR). A data, marcada pela lembrança e pelas homenagens a familiares, amigos e personalidades falecidas, movimentou especialmente o Cemitério Senhor Bom Jesus da Redenção, conhecido como Cemitério de Santo Amaro, localizado na região central da capital pernambucana.
Considerado o maior cemitério de Pernambuco, o equipamento possui capacidade para mais de 20 mil túmulos e jazigos e tradicionalmente recebe um grande número de visitantes em 2 de novembro. Além das homenagens aos entes queridos, o espaço também reúne pessoas que mantêm manifestações de fé e devoção.
Um dos pontos de maior movimentação é o túmulo da Menina Sem Nome, uma criança enterrada como indigente em 1970, depois de ter sido encontrada morta na praia do Pina, na Zona Sul do Recife.
Pouco depois do sepultamento, começaram a surgir relatos de pessoas que afirmavam ter alcançado graças após fazer pedidos atribuídos à menina. Com o passar dos anos, a história ganhou força entre os fiéis e transformou o túmulo em um dos locais mais procurados do Cemitério de Santo Amaro durante o Dia de Finados.
A tradição reúne devotos que levam presentes como bonecas, bolos e doces. Os objetos são deixados como demonstrações de carinho, agradecimento e devoção.
Entre as pessoas que mantêm essa tradição está a aposentada Cícera Elias da Costa, que há 18 anos dedica atenção especial ao túmulo. Ela contratou uma pessoa para realizar a limpeza periódica do espaço e, todos os anos, prepara a ornamentação para receber os visitantes no dia 2 de novembro.
“Tenho ela como se fosse minha filha, ela não conheceu mãe nem pai. Vim ontem e hoje, já gastei mais de R$ 1 mil aqui só comprando material. Mandei pintar ela, e, pela honra e glória do Espírito Santo de Deus, só tenho de agradecer, mais um ano aqui presente”, afirmou.
Apesar da devoção popular, a identidade da Menina Sem Nome nunca foi descoberta. O caso ganhou repercussão na imprensa pernambucana e foi destaque na edição de 24 de junho de 1970 do Diario de Pernambuco, com a manchete: “Menina de 8 anos foi morta e abandonada em Boa Viagem”.
Em 1971, um homem identificado como Geraldo Magno de Oliveira chegou a ser preso após confessar o homicídio. Ele foi condenado a 19 anos de prisão e morreu sob custódia anos depois.
Mais de cinco décadas após o crime, a história da criança continua despertando curiosidade e devoção. A cada Dia de Finados, o túmulo recebe visitantes que mantêm viva a tradição de homenagens à menina cuja identidade permanece desconhecida.
A merendeira Fernanda Andrade, que sai de Abreu e Lima para visitar o túmulo há dez anos, atribui às orações dedicadas à criança a melhora de saúde de familiares.
“Meu esposo recebeu um rim, há dez anos, e fazia hemodiálise. Passou uns oito anos, mas graças a Deus e à Menina Sem Nome, ele conseguiu receber o rim dele. Vim aqui com muita fé, graças a Deus, ela me atendeu. Por isso que eu venho aqui, trago os confeitos, trago os brinquedos pra ela”, declarou.
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O pontífice exerceu o direito de voto como cidadão norte-americano, segundo a confirmação feita pela Sala de Imprensa da Santa Sé. As eleições estão previstas para 3 de novembro.
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