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No Recife, projeto de ponte vai desapropriar mais de 100 famílias; confira lozalização

Moradores afirmam que não houve reunião pública com a comunidade e que as informações sobre as desapropriações foram descobertas por acaso.

Fernanda Diniz

06 de novembro de 2025 às 16:35   - Atualizado às 17:02

Projeto da nova ponte Casa ForteCordeiro.

Projeto da nova ponte Casa ForteCordeiro. Foto: Marco Zero Conteúdo

O projeto da nova ponte Casa Forte–Cordeiro, apresentado pela recife/">Prefeitura do Recife na noite da última terça-feira, 4 de novembro, acendeu o alerta entre moradores da Zona Oeste da cidade. Com a licitação em andamento e o pregão marcado para o dia 4 de dezembro, o plano prevê 107 desapropriações apenas para a estrutura da ponte, todas localizadas no bairro do Cordeiro, o que tem causado apreensão e indignação na comunidade. As informações foram divulgadas pelo site Marco Zero Conteúdo

De acordo com a Autarquia de Urbanização do Recife (URB), o projeto também prevê 32 desapropriações adicionais para a implantação do sistema viário no entorno,  sendo 9 totais, 10 parciais e 13 recuos de muro. Já no lado de Santana, na Zona Norte, o impacto será bem menor: 3 desapropriações totais, 3 parciais e 5 recuos de muro.

A diferença entre os dois lados chama atenção e levanta questionamentos sobre os critérios adotados pela gestão municipal. Enquanto Santana conseguiu reduzir o número de imóveis atingidos por meio de mobilização popular, o Cordeiro segue sem informações concretas e sem diálogo direto com a prefeitura.

Moradores afirmam que não houve reunião pública com a comunidade do Cordeiro e que as informações sobre as desapropriações foram descobertas por acaso, durante a apresentação do projeto em Santana.

“Eles só aparecem para medir o terreno, fazer estudo de solo, mas não explicam nada. Pelo que vimos do traçado, vai embora mais da metade da comunidade”, disse o morador Luiz Agostinho, que vive há anos na comunidade Cocheira, área que deve ser fortemente afetada.

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Segundo ele, o clima é de pânico entre as famílias, que ainda não sabem se serão indenizadas nem para onde irão.

A falta de regularização fundiária agrava a situação. Muitas famílias do Cordeiro possuem apenas contratos de compra e venda, sem escritura dos imóveis, o que pode reduzir o valor das indenizações pagas pela prefeitura. A URB informou que as famílias atingidas terão duas opções: indenização ou realocação no habitacional Caiçara, que está sendo construído no próprio bairro. Mas a proposta não agrada.

“Na minha casa moram cinco famílias. São duas embaixo, duas em cima e no quintal tem mais uma casa. A indenização não vai pagar uma outra casa pra mim aqui. É tudo caro, se paga pelo metro quadrado. Não quero de jeito nenhum morar em habitacional, ainda mais fora daqui”, protestou a moradora Maria de Fátima Bonfim ao Marco Zero Conteúdo.

Na reunião realizada em Santana, moradores chegaram a sugerir que as famílias afetadas sejam realocadas dentro da própria comunidade, em terrenos públicos que estão desocupados há anos.

A prefeitura afirmou que uma equipe da assistência social deve visitar os imóveis afetados para conversar individualmente com cada morador, mas não detalhou quando ou como o processo de desapropriação será conduzido.

A ponte Casa Forte–Cordeiro faz parte da chamada terceira perimetral do Recife, um corredor viário planejado desde a década de 1980 para facilitar o acesso entre as zonas Norte, Oeste e Sul da cidade. As obras estão previstas para começar no primeiro semestre de 2026, mas, até agora, o que predomina entre os moradores do Cordeiro é incerteza e medo de perder suas casas.

Confira reportagem do Marco Zero Conteúdo neste link

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