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Técnico de enfermagem suspeito de matar pacientes diz que queria 'aliviar sofrimento das vítimas'

De acordo com o delegado Mauricio Iacozzilli, responsável pela investigação, Marcos Vinícius negou inicialmente ter realizado as aplicações de medicamentos.

Gabriel Alves

21 de janeiro de 2026 às 18:00   - Atualizado às 18:00

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, técnico de enfermagem suspeito de matar pacientes em hospital.

Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, técnico de enfermagem suspeito de matar pacientes em hospital. Foto: Reprodução

Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, investigado por aplicar substâncias indevidas em pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, afirmou que sua intenção era aliviar o sofrimento das vítimas. Ele é suspeito de envolvimento na morte de três pacientes da unidade.

De acordo com o delegado Mauricio Iacozzilli, responsável pela investigação, Marcos Vinícius negou inicialmente ter realizado as aplicações de medicamentos. A versão, no entanto, mudou após ele ser confrontado com imagens captadas pelas câmeras de segurança do hospital, que registraram a atuação do técnico nos leitos.

Ao ser questionado sobre a motivação das condutas, o investigado afirmou, em um primeiro momento, que o plantão estava exaustivo e disse não saber explicar por que havia injetado as substâncias nos pacientes. Em seguida, apresentou uma nova justificativa, alegando que pretendia reduzir a dor dos enfermos, que, segundo a investigação, estavam em condição clínica estável antes das aplicações.

O delegado destacou ainda a postura adotada pelo suspeito durante o interrogatório. Segundo Iacozzilli, o comportamento chamou atenção pela ausência de emoção ao relatar os fatos.

“Ele falava como se fosse algo trivial. Choca a frieza que ele demonstrou no interrogatório”, afirmou.

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Segundo a polícia, o homem aplicava substâncias e medicamentos de forma irregular nos pacientes, com doses consideradas letais. A linha de investigação indica que as aplicações tinham como objetivo provocar a parada cardíaca das vítimas. Após a reação dos pacientes, o técnico permanecia no quarto e realizava manobras de reanimação, aproveitando a presença de outros profissionais no ambiente para tentar encobrir a conduta criminosa.

Vítimas

As vítimas identificadas até o momento são João Clemente Pereira, de 63 anos, Miranilde Pereira da Silva, de 75, e Marcos Moreira, de 33 anos. A idosa que recebeu as aplicações de desinfetante está entre os casos investigados.

As apurações também envolvem duas outras técnicas de enfermagem, Amanda Rodrigues de Sousa, de 22 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28. Ambas são investigadas por negligência e possível participação nos crimes. Conforme a polícia, Amanda atuava em outro setor do hospital, mas mantinha amizade antiga com Marcos Vinícius. Já Marcela havia sido recentemente contratada e recebia orientações do técnico sobre a rotina da UTI.

De acordo com os investigadores, as duas teriam auxiliado o suspeito ao vigiar a porta dos quartos, impedindo a entrada de outras pessoas durante as aplicações irregulares em ao menos dois dos episódios apurados.

A polícia identificou ainda que Marcos Vinícius utilizou o acesso de um médico para entrar no sistema interno do hospital e registrar a prescrição de um medicamento inadequado. Em seguida, ele teria se deslocado até a farmácia da unidade, separado os remédios, preparado as substâncias e escondido o material no jaleco antes de aplicar nos pacientes.

As aplicações ocorreram, segundo a investigação, nos dias 17 de novembro e 1º de dezembro do ano passado. A suspeita sobre a conduta do profissional surgiu após a repetição de pioras súbitas em pacientes com quadros clínicos distintos.

De acordo com Márcia Reis, diretora do Instituto Médico Legal (IML), as vítimas apresentavam níveis diferentes de gravidade, o que reforçou a desconfiança de interferência externa nos óbitos. A confirmação veio após a análise de imagens das câmeras de segurança instaladas nos leitos e a revisão dos prontuários médicos.

Assim que a direção do hospital identificou indícios de irregularidades, os profissionais envolvidos foram demitidos e o caso foi comunicado às autoridades. As famílias das vítimas foram informadas sobre os fato

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