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Sêmen achado em colchões de posto do BPRv não corresponde a suspeito de estupro, diz perícia

Uma mulher de 48 anos denunciou ter sido estuprada por um agente do BPRv, dentro de um posto, no Cabo de Santo Agostinho, no dia 10 de outubro.

Gabriel Alves

12 de novembro de 2025 às 18:48   - Atualizado às 18:48

Posto 6 do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), no Cabo de Santo Agostinho.

Posto 6 do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), no Cabo de Santo Agostinho. Foto: Google Streetview/Reprodução

A perícia realizada no Posto 6 do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, identificou a presença de fragmentos com sêmen em colchões da unidade onde uma mulher de 48 anos denunciou ter sido vítima de estupro.

De acordo com os laudos periciais, obtidos pelo Diario de Pernambuco, o material genético encontrado não pertence ao subtenente da Polícia Militar Luciano Valério de Moura, de 49 anos, apontado como o autor do crime.

Os peritos recolheram amostras em quatro colchões localizados no alojamento masculino e na sala do posto policial. As análises apontaram que os vestígios são de pelo menos sete indivíduos diferentes, todos do sexo masculino, além de fragmentos de fluido feminino.

Ainda segundo os documentos, um dos colchões apresentava um perfil genético “característico de mistura” entre dois indivíduos, um homem e uma mulher, incompatível com o material genético da vítima. Em outro colchão, a perícia identificou também uma mistura, mas dessa vez entre dois indivíduos do sexo masculino.

A mulher relatou em depoimento que o estupro ocorreu em pé, sem o uso de colchões, o que, segundo a advogada da vítima, Maria Júlia Leonel, explicaria a ausência de material genético do acusado nos locais analisados.

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O Diario de Pernambuco também teve acesso ao laudo referente ao vestido usado pela mulher no dia do crime. O documento aponta que não foram encontrados espermatozoides nem qualquer outro material genético que pudesse ser comparado com o DNA de Luciano Valério.

Até o momento, apenas a vítima e o subtenente passaram por coleta de material genético. O policial, no entanto, se recusou a fornecer amostras de DNA diretamente, obrigando os peritos a extrair vestígios de itens pessoais, como escova de dentes, sandálias e cortador de unhas.

Os outros dois policiais militares que estavam no posto no momento da ocorrência, e que afirmaram ter visto o subtenente e a mulher dentro da unidade, não foram submetidos à coleta de material genético.

Da redação do Portal com informações do Diario de Pernambuco.

Relembre caso

Uma mulher de 48 anos denunciou ter sido estuprada por um agente do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) dentro de um posto policial na PE-60, no município do Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife. O crime teria ocorrido na noite da do dia 10 de outubro, por volta das 22h30, e foi registrado no sábado, 11 de outubro na Delegacia da Mulher da cidade.

Segundo informações da Corregedoria da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), a vítima trafegava em direção à praia de Gaibu acompanhada de uma amiga e de suas duas filhas, de 16 e 9 anos, quando o veículo foi parado por três policiais durante uma fiscalização de rotina. Após apresentar a documentação do carro e a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), ela foi informada por um dos agentes sobre débitos de licenciamento e multa.

A mulher relatou que havia adquirido o carro recentemente e chegou a contatar o vendedor, que garantiu resolver a pendência na segunda-feira. Ainda de acordo com o depoimento, o policial pediu que ela o acompanhasse até uma área interna do posto, sob a justificativa de que o procedimento fazia parte da abordagem. Dentro de uma sala, o agente teria apagado as luzes, exposto a genitália e tentado forçá-la a manter relação sexual.

A vítima afirmou que tentou resistir, mas o homem a obrigou a praticar sexo oral. Após o abuso, ele teria feito comentários de cunho sexual e a liberado em seguida, permitindo que deixasse o local com as filhas e a amiga.

A mulher contou também que temeu que o policial chamasse os outros dois agentes que estavam no posto. Segundo o relato, o agressor chegou a entregar uma toalha para que ela se limpasse e ordenou que bebesse dois copos d’água “para esconder os vestígios do abuso”.

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