Polícia Civil faz operação. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público estadual, realizou, nesta terça-feira, 2 de julho, uma operação contra um grupo especializado no furto de petróleo bruto da Petrobras Transporte (Transpetro).
Os agentes cumpriram mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela Justiça contra os líderes e integrantes do grupo, em Além Paraíba (MG). Dois membros da quadrilha foram presos.
De acordo com as investigações, a quadrilha atuava de forma estruturada nos últimos anos, mesmo após terem sido alvos de diversas operações policiais.
A ação teve início a partir da tentativa da retirada de petróleo bruto em Rio das Flores, interior do estado do Rio, em agosto do ano passado.
Técnicos identificaram movimentações suspeitas e localizaram um túnel escavado com aproximadamente 7 metros de extensão, projetado para acessar clandestinamente a tubulação e viabilizar a retirada do combustível.
Essa técnica de furto de combustíveis é chamada de trepanação e consiste em perfurar o duto para criar uma abertura e instalar uma válvula, permitindo o desvio de combustível diretamente do gasoduto.
A ação integrada entre o setor de segurança da empresa e a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) impediu o crime e evitou um potencial desastre ambiental, já que a perfuração ocorria nas imediações do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de água em três estados.
O inquérito revelou que a organização criminosa utilizava veículos alugados por terceiros, contas bancárias de terceiros e comunicações criptografadas, com o objetivo de dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis.
O conjunto de provas evidenciaram o papel dos líderes, que mantinham atuação contínua no planejamento, financiamento e execução das ações.
Segundo as investigações da polícia, os criminosos já tinham sido alvos de outras cinco operações, o que demonstra a reincidência às medidas cautelares anteriormente impostas pela Justiça.
Em nota, a Transpetro informou que é vítima do crime de furto de petróleo e derivados em dutos e tem como maior preocupação a preservação da vida e a segurança das pessoas e do meio ambiente. Para reduzir a ocorrência dessa prática, a companhia informou que adota uma estratégia focada em três linhas de ações.
Primeiro, utiliza tecnologias, a partir do Centro Nacional de Controle e Logística (CNCL) da Transpetro, que permitem a rápida localização de derivações clandestinas.
Também investe no trabalho de relacionamento comunitário focado na conscientização com a população que vive no entorno dos ativos, o qual inclui a divulgação do número 168, um canal de comunicação direta entre a empresa e a população. E por fim, mantém convênios com órgãos de segurança pública.
"Essa estratégia tem resultado numa redução nos números de derivações clandestinas. Desde 2020, reduzimos em cerca de 90% o número de furtos e suas tentativas nas nossas faixas. Em 2020, foram 201 ocorrências e, no ano passado, 25", afirma a empresa em nota.
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