Além das prisões e buscas, a Justiça estadual determinou medidas para atingir o patrimônio dos investigados, incluindo o sequestro de bens e o bloqueio de ativos financeiros
14 pessoas presas e grupo suspeito de tráfico e lavagem de dinheiro em Pernambuco e outros estados Foto: Divulgação/PFSE
Operação deflagrada nesta terça-feira, 1º de setembro, pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Sergipe (FICCO/SE) resultou na prisão de 14 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa envolvida com tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
Batizada de 'Operação Vicinitas', a ação ocorre simultaneamente em quatro estados do nordeste.
As forças de segurança cumprem, ao todo, 23 mandados de prisão temporária e 26 mandados de busca e apreensão.
Além das prisões e buscas, a Justiça estadual determinou medidas para atingir o patrimônio dos investigados, incluindo o sequestro de bens e o bloqueio de ativos financeiros.
As decisões foram expedidas pelo Núcleo de Garantias do Tribunal de Justiça de Sergipe.
Até o meio-dia desta terça-feira (1º), a Polícia Federal havia divulgado um balanço inicial das ações. Além das 14 prisões efetuadas, nove pessoas ainda eram consideradas foragidas.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes apreenderam uma grande quantidade de dinheiro em espécie. O montante ainda estava sendo contabilizado, mas a estimativa inicial era de aproximadamente R$ 2 milhões.
Também foram apreendidas duas armas de fogo, munições dos calibres 9 mm e .12, além de cinco veículos de luxo.
A ofensiva alcançou municípios de Sergipe, Bahia, Paraíba e Pernambuco.
Em território sergipano, as equipes atuaram em Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Laranjeiras e Barra dos Coqueiros. Na Bahia, o cumprimento dos mandados ocorreu em Senhor do Bonfim.
Na Paraíba, a operação teve como alvo o município de Cabedelo. Já em Pernambuco, as ações foram realizadas em Santa Maria da Boa Vista, Cabrobó, Arcoverde, Belém do São Francisco, Petrolina e Carnaubeira da Penha.
As investigações tiveram início em julho de 2025, depois que três pessoas foram presas em flagrante durante uma abordagem no município de Frei Paulo, em Sergipe.
Na ocasião, os suspeitos transportavam aproximadamente 110 quilos de flor de maconha e estavam em três veículos. A partir da ocorrência, os investigadores passaram a aprofundar as apurações sobre a possível estrutura responsável pelo transporte e distribuição de entorpecentes.
O trabalho investigativo posteriormente apontou indícios de que o grupo também utilizava mecanismos para esconder a origem dos recursos obtidos com as atividades criminosas.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam empregado diferentes estratégias para realizar a chamada lavagem de capitais.
Entre os mecanismos identificados estão a utilização de contas bancárias pertencentes a terceiros e a realização de depósitos fracionados, medidas que dificultariam o rastreamento da origem dos valores.
Os investigadores também encontraram sinais de incompatibilidade entre o patrimônio de um dos alvos e a renda declarada por ele. Entre os bens identificados estão um imóvel situado em condomínio de alto padrão e veículos de luxo.
A apuração aponta ainda que a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 100 milhões entre 2025 e 2026.
A FICCO/SE reúne representantes de diferentes instituições de segurança pública e do sistema penitenciário. Participam da força integrada integrantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN).
A atuação conjunta tem como objetivo ampliar a capacidade de investigação e repressão a organizações criminosas, especialmente em casos que envolvem atuação interestadual, tráfico de drogas, movimentação financeira ilícita e ocultação de patrimônio.
A Operação Vicinitas segue com o cumprimento dos mandados e a localização dos alvos que ainda não foram encontrados pelas equipes. O material apreendido deverá ser analisado pelos investigadores para auxiliar no avanço das apurações e na identificação da estrutura financeira e operacional do grupo.
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