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Justiça autoriza prisão preventiva de tenente-coronel suspeito de matar esposa PM

A Polícia Civil fez o pedido após a conclusão de análises periciais que indicam inconsistências na versão apresentada pelo militar.

Gabriel Alves

17 de março de 2026 às 15:33   - Atualizado às 15:34

Tenente-coronel Geraldo Leite, suspeito de matar esposa PM, que está ao lado dele.

Tenente-coronel Geraldo Leite, suspeito de matar esposa PM, que está ao lado dele. Foto: Redes Sociais/Reprodução

A Polícia Civil solicitou à Justiça, nesta terça-feira, 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. O oficial é apontado como principal suspeito pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos.

O pedido foi feito após a conclusão de análises periciais que indicam inconsistências na versão apresentada pelo militar. Desde o início do caso, ele sustenta que a companheira teria tirado a própria vida. A vítima foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

Investigações

As investigações são conduzidas pelo 8º Distrito Policial, que reuniu laudos técnicos, depoimentos e registros das primeiras horas após o disparo. Segundo os investigadores, os elementos analisados indicam que a dinâmica do caso não é compatível com a hipótese de suicídio.

Gisele foi socorrida em estado grave por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da Polícia Militar ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois. De acordo com o atestado de óbito, a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

Relatos

Depoimentos colhidos ao longo da apuração passaram a levantar dúvidas sobre a versão apresentada pelo oficial. Socorristas relataram que o encontraram no corredor do prédio, enquanto a vítima estava caída na sala do apartamento, com grande quantidade de sangue na região da cabeça.

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Testemunhas afirmaram ainda que não observaram manchas de sangue nas mãos ou nas roupas do militar, o que também passou a ser analisado pela polícia.

Outro ponto considerado foi o intervalo entre o barulho do disparo e o acionamento do socorro. Uma moradora relatou ter ouvido um estrondo por volta das 7h28, enquanto o primeiro contato feito pelo oficial às centrais de emergência ocorreu apenas às 7h57.

Movimentações suspeitas

As investigações também identificaram movimentações consideradas incomuns no imóvel após o ocorrido. Imagens de câmeras de segurança mostram que um amigo do coronel esteve no prédio e entrou no apartamento com ele depois da retirada da vítima, antes da realização da perícia.

Há ainda relatos de que o militar tomou banho e trocou de roupa antes de sair do local, comportamento que também foi incluído na apuração.

Com base na reconstituição dos fatos e nos resultados das perícias, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à versão de suicídio. A Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passa a responder pela morte da policial.

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