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Em Goiana, quatro mulheres são resgatadas de casa de prostituição em situação análoga à escravidão

Segundo os órgãos responsáveis pela apuração, as trabalhadoras eram submetidas a um sistema de endividamento contínuo

Romildo Lacerda

16 de junho de 2026 às 18:40   - Atualizado às 18:41

Operação conjunta chega a Goiana, Mata Sul de Pernambuco

Operação conjunta chega a Goiana, Mata Sul de Pernambuco Foto: MTE/Divulgação

Uma operação conjunta da Auditoria Fiscal do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, e da Polícia Federal resultou no resgate de 22 mulheres submetidas a condições degradantes em estabelecimentos ligados à exploração sexual nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Em Goiana, na Zona da Mata Norte pernambucana, quatro vítimas foram encontradas em situação caracterizada como trabalho análogo à escravidão. As investigações revelaram a existência de uma estrutura organizada que mantinha casas de prostituição sob o comando de uma mesma proprietária, com a administração compartilhada entre familiares.

Segundo os órgãos responsáveis pela apuração, as trabalhadoras eram submetidas a um sistema de endividamento contínuo. Gastos com alimentação, itens de higiene, vestuário, procedimentos estéticos e outros serviços oferecidos pelos próprios responsáveis eram cobrados por valores elevados, dificultando qualquer possibilidade de quitação.

Em diversas situações, os ganhos obtidos pelas mulheres eram absorvidos por essas cobranças, mantendo-as presas ao esquema. Também havia metas de venda de bebidas e petiscos, acompanhadas de penalidades financeiras para quem não atingisse os resultados exigidos.

As vítimas relataram ainda uma rotina marcada por longas jornadas, com permanência obrigatória nos estabelecimentos durante grande parte do dia e da noite, aguardando clientes mesmo quando não estavam realizando programas.

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De acordo com os relatos, recusas ao atendimento, inclusive em momentos de enfermidade, indisposição física ou durante o período menstrual, eram punidas com novas multas, ampliando as dívidas impostas pelas administradoras.

As condições de moradia encontradas também chamaram a atenção dos fiscais. As mulheres viviam em quartos coletivos, sem ventilação adequada e com estrutura precária de higiene. Em alguns casos, os mesmos espaços serviam simultaneamente como local de residência e de exploração sexual, evidenciando a vulnerabilidade e a violação de direitos enfrentadas pelas vítimas.

A investigação teve início a partir de apurações conduzidas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Guarabira, na Paraíba, mas ganhou âmbito federal após a identificação de indícios de tráfico de pessoas. Os investigadores apontam que mulheres eram recrutadas em diferentes estados, principalmente no Ceará, e transferidas entre unidades localizadas em Goiana, Guarabira, Pedro Régis, Alagoa Grande e Nova Cruz, fortalecendo a suspeita de uma rede interestadual voltada à exploração sexual.

Como resultado da operação, a principal responsável pelo esquema foi notificada pela caracterização de trabalho em condições análogas à escravidão. Além disso, foi determinada a suspensão das atividades dos estabelecimentos envolvidos, o pagamento dos direitos trabalhistas devidos às vítimas, bem como o custeio do retorno delas às suas cidades de origem. O caso segue sob investigação para apurar a responsabilização criminal dos envolvidos.
 

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