Soldado do exército desaparecido mandou mensagens a mãe Foto: Reprodução
O soldado do Exército Pedro Gabriel Bezerra, de 20 anos, enviou uma mensagem carinhosa à mãe na noite da sexta-feira (16), horas antes de seu desaparecimento ser percebido no quartel onde trabalhava, no bairro do Cabanga, na Zona Sul do Recife.
O militar teria desaparecido levando um fuzil e munições do 7º Depósito de Suprimento, onde estava de serviço.
O sumiço foi identificado por volta das 2h do sábado (17), no momento em que deveria ocorrer a troca de turno entre os militares responsáveis pela vigilância do quartel.
Segundo Jario Santos, advogado que representa a família, ainda não há confirmação de que Pedro tenha deixado as instalações militares. De acordo com ele, as câmeras de segurança registraram o jovem seguindo para o posto de serviço, mas não há imagens que mostrem sua saída do local.
A mãe do soldado, Tamires Ferreira, contou que conversou com o filho na sexta-feira, quando recebeu uma mensagem acompanhada de uma foto em que ele fazia um coração com a mão e mandava um beijo.
Segundo ela, Pedro havia retornado das férias na quarta-feira (14), após quase dois anos de serviço no Exército. Antes do período de descanso, ele havia concluído um curso para se tornar cabo e obtido a maior nota entre os participantes no quartel.
Tamires afirmou que enviou uma mensagem ao filho quando soube que ele estava voltando ao trabalho, incentivando-o a manter o foco nos objetivos profissionais.
À noite ele me respondeu. Mandou uma foto fazendo coração [com a mão], soltando um beijo e dizendo: ‘te amo, minha vida”, relatou.
A mãe também percebeu que a foto do perfil do WhatsApp do jovem havia desaparecido após a troca de mensagens. Além disso, Pedro não respondeu à mensagem de boa-noite, algo que, segundo ela, costumava fazer.
No dia seguinte, um sargento entrou em contato para informar que o militar estava desaparecido. Preocupada, Tamires ainda tentou falar com o filho por mensagem no sábado, mas não obteve resposta.
Pedro mora com a avó, em Pau Amarelo, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. De acordo com a mãe, o jovem não demonstrava mudanças de comportamento antes do desaparecimento.
Tamires descreveu o filho como uma pessoa tranquila e afirmou que os dois mantinham uma relação próxima, com conversas frequentes por mensagens, ligações e encontros presenciais nos fins de semana.
É um menino bom, muito tranquilo. Além de mãe, sou amiga dele. A gente conversava bastante, tanto pelo WhatsApp, por ligação, presencial também, porque ele mora com a minha mãe, mas em todos os fins de semana eu estava lá”, contou.
Ela acrescentou que o filho costumava compartilhar seus planos e sonhos com a família, o que torna a situação ainda mais angustiante para os parentes.
O Comando Militar do Nordeste (CMNE) informou que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias do desaparecimento.
Em nota, o comando afirmou que o soldado “evadiu-se do 7º Depósito de Suprimento, durante o serviço de sentinela do quartel, levando consigo o armamento individual”.
A instituição também declarou que não compactua com possíveis desvios de seus integrantes e que empregará os meios necessários, com apoio dos órgãos de segurança pública, para recuperar o armamento.
A Polícia Militar informou que está auxiliando o Exército Brasileiro nas buscas. Já a Polícia Civil confirmou que a ocorrência de desaparecimento é investigada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Na tarde do domingo (18), equipes do Exército realizaram buscas em Pau Amarelo, bairro onde o soldado mora com a avó. A operação foi confirmada pela corporação após moradores registrarem a movimentação dos militares na região.
O advogado Jario Santos afirmou que o desaparecimento foi percebido durante a troca de turno, quando outro militar deveria assumir o posto ocupado por Pedro Gabriel.
Segundo ele, a família esteve no quartel e conversou com o comandante, mas ainda não recebeu informações suficientes para esclarecer o que aconteceu.
Essa situação está bem estranha. Não conseguimos muitas informações. Estivemos no quartel, conversamos com o comandante, mas é tudo muito obscuro, muito estranho ainda”, afirmou à TV Globo.
O advogado destacou que, até o momento, não existem imagens que comprovem a saída do soldado das instalações militares. Segundo ele, a equipe responsável pela segurança teria passado cerca de três horas procurando o jovem dentro do quartel.
Jario também relatou que há especulações sobre a possibilidade de Pedro ter pulado o muro da unidade, mas ressaltou que não existem imagens, testemunhas ou outras evidências que confirmem essa hipótese.
A gente não tem informação. A gente não sabe nem se o Pedro está dentro do quartel ainda. Se fala de um possível pulo do muro, mas não tem imagem, ninguém viu, não tem testemunha. Então, é tudo especulação”, declarou.
O advogado acrescentou que a família ainda não sabe se o militar deixou o local em algum veículo ou se o fuzil permanece dentro das instalações do Exército.
As investigações seguem em andamento para esclarecer o paradeiro do soldado e determinar o que ocorreu durante o serviço de sentinela.
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