Presidente da Amupe, Marcelo Gouveia, ao lado de Priscila Krause. Foto: Cláudio Gomes
A nova diretoria da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) assumiu o comando da entidade na quarta-feira, 19 de março, em cerimônia realizada na sede da instituição, no bairro de Jardim São Paulo, zona Oeste do Recife. O processo eleitoral ocorreu com chapa única, garantindo a recondução de Marcelo Gouveia (Podemos) à presidência.
Durante os primeiros discursos, a principal preocupação apresentada foi a proposta do Governo Federal de isentar do Imposto de Renda (IR) quem recebe até R$ 5 mil por mês. Segundo os prefeitos, essa mudança pode afetar diretamente a arrecadação dos municípios.
Marcelo Gouveia classificou a isenção do IR como o "próximo desafio" da Amupe, alertando para os impactos que a medida pode gerar nas finanças municipais em todo o país.
“Os municípios do Brasil estão preocupados. Nós teremos um impacto de R$ 12 bilhões nas contas públicas dos municípios, onde R$ 500 milhões serão afetados diretamente nos municípios pernambucanos”, destacou.
Embora não se posicione contra a isenção, Gouveia defendeu a necessidade de uma compensação para os municípios, garantindo que eles não arquem com os prejuízos da medida.
“Não somos contra a isenção de imposto, a gente só quer buscar a compensação devida para que os municípios não paguem a conta. A gente sabe que, na ponta da linha, a necessidade real está nos municípios e as políticas públicas são desenvolvidas por nós”, reforçou.
O presidente da Amupe também alertou para as consequências da redução na arrecadação municipal. Segundo ele, a falta de recursos pode comprometer áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
“Quando se retira recursos dos municípios, vocês estão tirando recursos da saúde, infraestrutura, da educação, do custeio básico das políticas públicas que nós somos responsáveis”, completou.
O primeiro vice-presidente da Amupe e prefeito de Aliança, Pedro Freitas (PP), também demonstrou preocupação com o impacto da isenção do IR. Para ele, essa pode ser a maior dificuldade enfrentada pelos municípios em 2025.
“Talvez hoje o maior problema que a gente vai enfrentar esse ano que é a discussão da nova isenção de faixa do imposto de renda que retira recursos dos municípios”, pontuou.
No entanto, Pedro, que assumirá a presidência da Amupe em março de 2026, reforçou que a entidade precisa seguir apoiando os municípios menores, buscando soluções para captação de recursos e inovação.
“A gente não pode ter todo o nosso time focado só nesses grandes problemas, porque tem também os problemas do dia a dia. A gente precisa contribuir para levar mais inovação para os pequenos municípios, a gente precisa contribuir para levar para esses municípios as soluções de captação de recursos, de captação de patrocínio, que a gente também já está discutindo. Como é que a gente consegue simplificar a vida dos prefeitos, que têm no dia a dia o desafio de encontrar soluções?", questionou.
O tema também foi abordado pelo representante de Pernambuco na Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Eduardo Tabosa. Ele reforçou que “nenhum prefeito é contra” a isenção do IR, mas defendeu a necessidade de compensação para evitar prejuízos aos municípios.
A governadora em exercício de Pernambuco, Priscila Krause (PSDB), destacou a importância da parceria entre o Governo do Estado e as prefeituras. Ela citou sua experiência como vereadora do Recife e a trajetória da governadora Raquel Lyra (PSD), que já foi prefeita de Caruaru, para exemplificar a atenção às demandas municipais.
"Pernambuco hoje tem uma governadora que foi prefeita e que sabe exatamente onde o calo aperta. Sabe o que significa um atraso no repasse dos recursos obrigatórios para as cidades pernambucanas. Sabe a dificuldade orçamentária e financeira para atender todas as demandas. Pernambuco tem também uma vice-governadora que foi vereadora da cidade do Recife por 10 anos e que entende exatamente a angústia e a ansiedade daquele que é o primeiro para-choque das necessidades da população", ressaltou.
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), também esteve presente e destacou que, apesar das diferenças de tamanho e orçamento, os prefeitos enfrentam desafios semelhantes. Ele reforçou a importância da união entre os gestores municipais e a necessidade de agir com rapidez diante das demandas da população.
“É perder um pouquinho de um lado, apertar do outro, mas que a gente possa pensar na coletividade, porque é isso que nos faz fortes. No final, a responsabilidade sobre o município sempre é muito grande e muito urgente. As pautas municipais, você não pode deixar para resolver num dia seguinte, numa semana seguinte ou num mês seguinte. Se você não cuida hoje, amanhã o problema já está estabelecido. Então esse senso de urgência a gente não pode perder”, concluiu.
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A iniciativa surge em um momento em que os estoques de sangue costumam diminuir, enquanto a demanda hospitalar continua elevada.
O estudo busca medir a percepção da população sobre a atuação das administrações municipais, com base em critérios definidos pela própria instituição responsável pela pesquisa.
Os índices elevados podem provocar aumento no nível de rios e canais, além de alagamentos em áreas mais vulneráveis.
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