Pernambuco, 09 de Setembro de 2026

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Pernambuco registra aumento de casos de dengue e chikungunya em 2026, aponta Secretaria de Saúde

No caso da dengue, foram registradas 45.017 notificações no período analisado, número 38,8% superior ao contabilizado no mesmo intervalo de 2025

Romildo Lacerda

09 de setembro de 2026 às 18:05   - Atualizado às 18:05

Mosquito transmissor da dengue

Mosquito transmissor da dengue Foto: Reprodução

O estado de Pernambuco apresentou crescimento nas notificações de dengue e chikungunya ao longo de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os dados constam no mais recente Informe Epidemiológico de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), referente à Semana Epidemiológica, que reúne informações coletadas entre 4 de janeiro e 29 de agosto.

No caso da dengue, foram registradas 45.017 notificações no período analisado, número 38,8% superior ao contabilizado no mesmo intervalo de 2025.

Casos de dengue

Do total de notificações, 22.281 foram classificados como casos prováveis — categoria que engloba tanto os casos já confirmados quanto aqueles que ainda estão em investigação. Outros 22.736 registros acabaram descartados após análise.

Até o fechamento do boletim, Pernambuco havia confirmado 10.848 casos da doença. Além disso, 649 pacientes apresentaram sinais de alarme ou quadros considerados graves.

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A incidência estadual chegou a 233 casos prováveis para cada 100 mil habitantes. O levantamento mostra que 41 municípios estavam classificados com alta incidência da doença, enquanto 56 apresentavam incidência média e outros 81 registravam baixa incidência. Apenas sete municípios não contabilizaram casos prováveis de dengue durante o período.

Chikungunya também avança

Os números da chikungunya também cresceram em relação ao ano passado. O boletim epidemiológico contabiliza 6.292 notificações em 2026, representando aumento de 20,8% frente ao mesmo período de 2025.

Desse total, 2.187 registros são considerados casos prováveis e 346 já tiveram confirmação laboratorial.

A incidência estadual da doença atingiu 22,9 casos prováveis por 100 mil habitantes. Entre os municípios pernambucanos, 60 não registraram casos prováveis, enquanto 120 apresentaram baixa incidência. Outros três foram classificados com incidência média e dois atingiram índice considerado alto.

Zika apresenta redução

Diferentemente das demais arboviroses, os registros de infecção pelo vírus Zika diminuíram em Pernambuco neste ano.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, foram notificadas 1.128 ocorrências em 2026, volume 5,8% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Entre essas notificações, 104 foram enquadradas como casos prováveis. Até a divulgação do boletim, nenhum caso havia sido confirmado.

O levantamento também aponta a existência de 12 casos prováveis de infecção pelo vírus Zika em gestantes.

Mortes por arboviroses

Até a publicação do informe epidemiológico, Pernambuco contabilizava três óbitos confirmados por arboviroses em 2026.

Outras 22 mortes permaneciam sob investigação para confirmação da causa, enquanto 25 suspeitas foram descartadas.

No mesmo período do ano passado, cinco mortes haviam sido confirmadas. Conforme informou o diretor-geral de Vigilância Ambiental da SES-PE, Eduardo Bezerra, o Estado registrou, portanto, redução de 40% no número de óbitos confirmados.

Situação na Região Metropolitana

Entre os municípios da Região Metropolitana do Recife, a capital e Jaboatão dos Guararapes concentram os maiores números de casos prováveis de dengue.

No Recife, foram registrados 3.048 casos prováveis em 2026. No mesmo período de 2025, o município havia contabilizado 3.186 ocorrências.

Já Jaboatão dos Guararapes apresentou crescimento expressivo, passando de 1.692 casos prováveis em 2025 para 2.836 neste ano.

Em sentido contrário, Olinda e Paulista registraram queda nos indicadores. Em Olinda, os casos prováveis diminuíram de 1.387 para 761. Em Paulista, o número caiu de 1.170 para 912.

Ações de enfrentamento

De acordo com Eduardo Bezerra, Pernambuco mantém uma série de medidas permanentes para monitorar a circulação das arboviroses e controlar a proliferação do mosquito transmissor.

Entre as ações estão o acompanhamento epidemiológico, o monitoramento da presença do Aedes aegypti, a orientação aos municípios para realização de bloqueios e aplicação de larvicidas, além da distribuição de insumos encaminhados pelo Ministério da Saúde.

O Estado também desenvolve estratégias específicas, como a instalação de capas de proteção em reservatórios de água localizados em comunidades indígenas e quilombolas e a utilização da Técnica do Inseto Estéril (TIE) no território indígena Xukuru do Ororubá, em Cimbres, distrito de Pesqueira.

Além dessas iniciativas, a Secretaria Estadual de Saúde informou que promove atividades de mobilização junto às escolas, equipes da Atenção Primária e profissionais da vigilância em saúde dos municípios. As ações podem ser reforçadas de acordo com a evolução do cenário epidemiológico.

Impactos do El Niño

Outro ponto de atenção para o segundo semestre de 2026 é a influência do fenômeno El Niño, que pode alterar o regime de chuvas e interferir diretamente no ciclo de vida do mosquito transmissor das arboviroses.

Sobre esse cenário, o diretor-geral de Vigilância Ambiental da SES-PE afirmou que:

Pernambuco já conta com um plano para o enfrentamento dos possíveis impactos do El Niño, elaborado dentro dos parâmetros do Ministério da Saúde. Além disso, desde o ano passado, o Governo do Estado mantém um comitê de estiagem, reunindo diferentes secretarias para atuação integrada diante desses cenários".

Vacinação contra a dengue

Desde o início da vacinação contra a dengue pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em 2024, até o dia 7 de setembro de 2026, Pernambuco aplicou 268.809 doses do imunizante em crianças e adolescentes com idade entre 10 e 14 anos.

Desse total, 184.046 correspondem à primeira dose e outras 84.763 à segunda aplicação.

No mesmo intervalo, a Secretaria Estadual de Saúde distribuiu aos municípios 394.950 doses da vacina, sendo 215.094 destinadas à primeira aplicação e 179.856 reservadas para a segunda dose.

A estratégia de imunização adotada pelo SUS prevê duas aplicações, com intervalo de três meses entre elas, para garantir a proteção contra a doença.

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