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Pernambucano que lutava na Ucrânia e tentou desistir de missão morre na guerra contra a Rússia

Conhecido como Estrela, Walter Passos ainda tentou fugir, mas foi capturado na Polônia, onde passou quatro dias detido.

Cami Cardoso

18 de março de 2026 às 09:16   - Atualizado às 09:50

Pernambucano que lutava na Ucrânia e tentou desistir de missão morre na guerra contra a Rússia

Pernambucano que lutava na Ucrânia e tentou desistir de missão morre na guerra contra a Rússia Foto: Reprodução

Walter Raimundo Passos Borges Filho, conhecido como Estrela, de 40 anos, tinha planos de transformar sua vida e a de sua família. Natural de Paulista, em Pernambuco, ele trabalhava como mecânico industrial e sonhava em seguir carreira militar. Para tentar mudar de vida, decidiu se voluntariar na Ucrânia, atraído pela promessa de remuneração rápida e pelo prestígio do combate.

Em setembro de 2025, Walter deixou o Brasil. Partiu sem falar outro idioma, sem treinamento militar formal, mas cheio de esperança.

Deixou em Pernambuco a companheira Stephanny Lima, de 28 anos, uma filha de apenas um mês e cinco filhos de relacionamentos anteriores. A expectativa era simples: seis meses fora, retorno seguro, dinheiro ganho, um futuro melhor para todos.

Na Ucrânia, a realidade se mostrou muito diferente. Walter começou a aprender a usar armamentos e ajudava soldados locais, registrando sua rotina no Instagram.

Mas a barreira do idioma era constante; tradutores se tornaram sua única forma de comunicação. Inicialmente, conseguiu enviar algum dinheiro para a família, mas as dificuldades financeiras logo se intensificaram.

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Em meio à guerra, o desejo de voltar para casa cresceu. Walter tentou desistir da missão e fugir, mas foi capturado na Polônia, onde passou quatro dias detido.

Realocado em outro batalhão, manteve a esperança de encerrar sua jornada e voltar ao Brasil. A missão estava prevista para terminar em 20 de março de 2026, com retorno planejado para o início de abril, mas ele não sobreviveu.

Pernambucano torturado na Guerra

Walter não foi o único pernambucano que acabou morrendo na guerra. Em dezembro,  Bruno Gabriel Leal da Silva, de 28 anos, também acabou morto enquanto serviu ao exército ucraniano. Segundo investigação publicada pelo jornal Kyiv Independent, ele teria sido vítima de tortura dentro de um batalhão formado majoritariamente por brasileiros.

De acordo com relatos de ex-integrantes da unidade ouvidos sob anonimato, a prática de abusos físicos e psicológicos seria recorrente no grupo, identificado como “Advance”. A unidade atuaria dentro da estrutura de inteligência militar ucraniana.

Um ex-combatente afirmou ao jornal que “era um batalhão que torturava as pessoas, abuso lá era normal”. As denúncias incluem espancamentos coletivos, queimaduras, choques elétricos, afogamento, asfixia e agressões sexuais.

Segundo testemunhas, Bruno ainda não havia assinado contrato definitivo e estava em fase de seleção para o treinamento básico. Ele teria manifestado o desejo de deixar o país e retornar ao Brasil.

Na noite da morte, conforme os depoimentos, o brasileiro teria retornado à base fora do horário permitido e sob efeito de álcool. Como punição inicial, teria sido obrigado a participar de uma luta de boxe contra outro combatente. Após o confronto, ele teria sido levado a um local conhecido como “container”, onde foi espancado por cerca de 40 minutos.

Na manhã seguinte, soldados relataram ter encontrado o corpo na neve, com marcas nos pulsos e sinais de agressão no tronco.

As autoridades ucranianas confirmaram a morte e informaram que o caso está sob investigação preliminar. Até o momento, não foram divulgados laudo médico nem detalhes da autópsia.

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