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Pernambucano morto na guerra da Ucrânia foi torturado por outros brasileiros, aponta investigação

Bruno integrava a unidade conhecida como Advance, batalhão com cerca de 150 a 200 integrantes que atuava na estrutura militar ucraniana e era formado majoritariamente por brasileiros.

Cami Cardoso

20 de fevereiro de 2026 às 09:39   - Atualizado às 10:10

Pernambucano morto na guerra da Ucrânia foi torturado por outros brasileiros, aponta investigação

Pernambucano morto na guerra da Ucrânia foi torturado por outros brasileiros, aponta investigação Foto: Divulgação

A morte do pernambucano Bruno Gabriel Leal da Silva, de 28 anos, na guerra da Ucrânia, ganhou novos contornos após investigação do jornal Kyiv Independent apontar que ele pode ter sido vítima de agressões cometidas por integrantes de um batalhão formado majoritariamente por brasileiros.

Natural de Pernambuco, Bruno morreu na noite entre 28 e 29 de dezembro de 2025, em Kiev. Segundo ex-integrantes da unidade ouvidos sob anonimato, ele teria sido submetido a uma sequência de punições internas aplicadas por colegas brasileiros após retornar à base fora do horário permitido e sob efeito de álcool.

De acordo com os relatos, a primeira punição teria sido uma luta de boxe contra outro soldado. Em seguida, Bruno foi levado por um grupo para um espaço conhecido como “container”, descrito como área de disciplina dentro da unidade. Ali, ele teria sido agredido por cerca de 40 minutos.

“Nós podíamos ouvir gritos e sons de pancada, mas não podíamos fazer nada”, afirmou um ex-integrante ao jornal.

Na manhã seguinte, o corpo foi encontrado na neve, próximo ao local. Testemunhas relataram marcas nos pulsos e sinais de agressão no tronco. As autoridades ucranianas confirmaram a morte e informaram que abriram investigação preliminar, mas não divulgaram detalhes do laudo médico ou da autópsia.

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Batalhão com maioria de brasileiros

A investigação aponta que Bruno integrava a unidade conhecida como Advance, um batalhão com cerca de 150 a 200 integrantes que opera dentro da estrutura da inteligência militar ucraniana sob comando de Bohdan Khodakovskyi. Segundo a reportagem, a unidade era composta majoritariamente por brasileiros e liderada por Leanderson Paulino.

Ex-membros afirmaram que havia um padrão de disciplina considerado excessivamente rígido, incluindo a retenção de passaportes e a proibição de deixar as instalações. Um ex-recruta relatou ter sido ameaçado ao pedir o documento de volta para retornar ao Brasil.

“Era um batalhão que torturava as pessoas, abuso lá era normal”, afirmou um dos entrevistados ao Kyiv Independent.

Entre as denúncias citadas na investigação estão espancamentos coletivos, queimaduras, choques elétricos e outras formas de agressão. As acusações ainda estão sob apuração oficial.

Tentativa de pedir ajuda

Quatro dias antes de morrer, Bruno enviou um e-mail ao consulado brasileiro relatando maus-tratos e apreensão de passaporte. O Ministério das Relações Exteriores informou que ele foi orientado a formalizar a denúncia e recebeu informações sobre a possibilidade de emissão de novo documento, mas não chegou a comparecer à representação diplomática.

O Itamaraty declarou que presta assistência consular a todos os brasileiros na Ucrânia, independentemente do motivo da permanência no país, mas não pode repatriar voluntários que optaram por integrar forças estrangeiras.

Desde o início do conflito, dezenas de brasileiros morreram ou estão desaparecidos na Ucrânia. Parte dos combatentes relatou ter se alistado após interpretar que receberia “R$ 50 mil por mês”, valor que, na prática, correspondia a 50 mil grívnias, cerca de R$ 5.800 na conversão aproximada.

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