Durante o encontro, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retirou algumas propostas que haviam sido rejeitadas pelos trabalhadores em assembleias realizadas no dia 17 de agosto.
20 de agosto de 2026 às 09:08 - Atualizado às 09:10
Comando Nacional dos Bancários decidiu manter a orientação para a paralisação desta quinta-feira. Foto: Divulgação/Sindicato dos Bancários em Pernambuco
Mais de 50 mil bancárias e bancários aprovaram a realização de uma paralisação de 24 horas nesta quinta-feira, 20 de agosto, diante do impasse nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A mobilização ocorre após uma nova rodada de negociações realizada na terça-feira, 18 agosto, que terminou sem a apresentação de um índice de reajuste salarial para a categoria.
Durante o encontro, a Fenaban retirou algumas propostas que haviam sido rejeitadas pelos trabalhadores em assembleias realizadas no dia 17. Entre os pontos retirados estavam o modelo de reajustes diferentes conforme a faixa salarial, a divisão dos valores de vale-refeição e vale-alimentação entre cidades e o congelamento do piso de ingresso.
Segundo os representantes dos trabalhadores, 97% da categoria rejeitou o modelo apresentado anteriormente pelos bancos. Apesar do recuo, os representantes patronais não apresentaram, até o momento, uma proposta econômica para os salários.
Diante da ausência de um índice de reajuste, o Comando Nacional dos Bancários decidiu manter a orientação para a paralisação desta quinta-feira. A mobilização foi aprovada em assembleias realizadas em diferentes partes do país.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Fabiano Moura, afirmou que a categoria espera uma nova proposta econômica por parte dos bancos.
“Sem proposta, vamos manter a paralisação do dia 20 e com muita intensidade em Pernambuco e todo o país”, declarou.
Entre as reivindicações dos trabalhadores estão aumento real dos salários, valorização do piso salarial, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e dos valores destinados aos benefícios de alimentação. A categoria também cobra mudanças relacionadas às condições de trabalho.
O Comando Nacional dos Bancários ainda reivindica medidas para reduzir as demissões no setor, além de indenização adicional em casos de desligamento e a criação de programas de qualificação e requalificação profissional.
De acordo com os representantes dos trabalhadores, o setor bancário registrou R$ 171 bilhões em lucro em 2025. A categoria afirma que, no mesmo período, houve redução da massa salarial, fechamento de postos de trabalho e de agências, além do avanço da terceirização.
Os dados apresentados pelos bancários apontam ainda que o patrimônio líquido do setor chegou a R$ 1,2 trilhão em 2025. Entre 2015 e 2025, segundo os números divulgados pela categoria, foram fechados 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências, enquanto os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários.
Outro dado citado pelos trabalhadores é o lucro de R$ 438 mil por empregado no setor. A categoria também afirma que a remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados deverá chegar a R$ 12,5 milhões em 2026.
As negociações entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários devem ser retomadas na próxima segunda-feira (24). Até lá, a categoria mantém a paralisação programada para esta quinta-feira.
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