Desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, preso pela PF em operação. Foto: Reprodução/Redes sociais
A prisão do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), por suspeita de vazamento de informações sigilosas na Operação Unha e Carne, colocou sob os holofotes um magistrado com um histórico longo e controverso na Justiça brasileira. Em primeiro lugar, a detenção preventiva, ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), veio no contexto da investigação de repasse de dados da Operação Zargun, que teriam beneficiado o crime organizado e o ex-deputado TH Joias.
O Retorno Controverso à Magistratura
Macário Júdice Neto, natural do Espírito Santo, tem uma trajetória marcada por uma longa interrupção de suas atividades. De fato, ele passou quase 18 anos afastado de suas funções judiciais. O afastamento começou em 2005, quando ele passou a ser investigado no âmbito da Operação Saúva, que apurava um grave esquema de venda de sentenças no Espírito Santo. As acusações à época envolviam o favorecimento a organizações criminosas ligadas ao jogo do bicho e a máquinas caça-níqueis.
Contudo, o longo afastamento não se converteu em punição definitiva. Com efeito, em 2022, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reconheceu a prescrição da pretensão punitiva no Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que o envolvia, arquivando o caso. Assim sendo, o desembargador teve seu retorno à magistratura autorizado e, em maio de 2023, foi promovido a desembargador federal do TRF-2 pelo critério de antiguidade.
O Magistrado no Centro da Crise Atual
Sua posição no TRF-2 foi crucial para a atual crise. Afinal, Macário Júdice Neto era o relator do Habeas Corpus e dos recursos interpostos pela defesa do ex-deputado estadual TH Joias, preso em setembro de 2024. TH Joias é acusado de chefiar um esquema de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, com forte ligação com o Comando Vermelho (CV).
Portanto, a investigação da PF foca justamente no suposto vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun — a ação que prendeu TH Joias. As apurações sugerem que o desembargador teria se valido de sua posição privilegiada para acessar dados confidenciais. Mais importante, a PF encontrou indícios que ligam o desembargador ao deputado afastado Rodrigo Bacellar, que também foi alvo de busca e apreensão. A suspeita é que Bacellar, na companhia de Macário, teria avisado TH Joias sobre a operação iminente.
Vínculos Políticos e Familiares
A teia de conexões de Macário Júdice Neto também se estende ao meio político. Além disso, sua esposa, Flávia Júdice, também esteve ligada à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela ocupou um cargo de assessoria no gabinete da diretoria-geral da Alerj, uma posição que reforça o elo entre o Judiciário e o Legislativo fluminense investigado na Operação Unha e Carne.
Em síntese, a prisão do desembargador Macário Júdice Neto não é apenas o ponto alto de uma operação contra o crime organizado; é o desfecho provisório de uma carreira marcada por sombras e um retorno recente ao poder, agora novamente interrompido por suspeitas de quebra de sigilo e favorecimento a criminosos.
O Precedente na Justiça
Por conseguinte, o caso se torna um precedente de alta relevância para o Judiciário brasileiro. A prisão de um magistrado federal de tal patente por crimes relacionados à obstrução e corrupção demonstra a profundidade da crise e a determinação das autoridades em confrontar a blindagem de agentes públicos em qualquer esfera. Em conclusão, o histórico de Macário, desde a acusação de venda de sentenças até a prisão atual, coloca em evidência a urgência de mecanismos mais rigorosos de fiscalização e punição no sistema de justiça.
Fonte: O Globo RJ
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