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Moraes cara a cara com Mauro Cid: 'Quero fatos. É a última chance de colaborar'

A Polícia Federal (PF) estava insatisfeita por supor que ele estava omitindo informações.

Fernanda Diniz

19 de fevereiro de 2025 às 18:32   - Atualizado às 19:02

Moraes e Mauro Cid.

Moraes e Mauro Cid. Foto: Divulgação

A delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência no governo Jair Bolsonaro (PL), esteve sob ameaça real de rescisão em novembro de 2024. A Polícia Federal (PF) estava insatisfeita por supor que ele estava omitindo informações.

Pressionado, o tenente-coronel prestou depoimento diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mauro Cid ficou frente a frente com o ministro na sala de audiências do STF e foi questionado sobre "contradições" em oitivas anteriores.

Moraes foi direto ao ponto:

"Quero os fatos, por isso que eu marquei essa audiência. Eu diria que é a última chance do colaborador dizer a verdade sobre tudo."

Àquela altura, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia se manifestado a favor da prisão preventiva de Mauro Cid. O tenente-coronel foi avisado que, se não colaborasse, sairia da audiência preso. 

"Eventuais novas contradições não serão admitidas", antecipou Moraes.

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O ex-ajudante de ordens então deu detalhes sobre o envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro no plano de golpe. Bolsonaro e 33 aliados foram denunciados nesta terça-feira, 18, pelas articulações golpistas. A PGR aponta o ex-presidente como o líder de uma organização criminosa armada.

As revelações de Mauro Cid deixaram os investigadores satisfeitos. A Procuradoria-Geral da República recuou do pedido de prisão preventiva. Ao final da audiência, Moraes tranquilizou a defesa: "A delação permanece hígida."

Mauro Cid em outras delações 

Em sua primeira delação premiada, em agosto de 2023, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid disse que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuaram para instigar o ex-presidente Jair Bolsonaro a dar um golpe de Estado após a derrota na eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva.

O teor desse depoimento foi revelado pelo jornalista Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, e confirmado pelo Estadão. Segundo Cid, os dois participavam do grupo mais radical de pessoas próximas ao então presidente, que acreditavam que ele teria "o apoio do povo e dos CACs (Colecionadores, Atiradores desportivos e Caçadores) para dar um golpe de Estado".

Michelle e Eduardo não foram indiciados pela Polícia Federal (PF) e não há menção a elementos e provas, ao menos neste primeiro depoimento. Cid foi inquirido outras vezes ao longo de 2023 e 2024.

A defesa de Bolsonaro manifestou "indignação" diante de novos "vazamentos seletivos" e reclamou de não ter tido acesso à íntegra da delação. As defesas de Michelle e Eduardo Bolsonaro não responderam às tentativas de contato do Estadão.

Também teriam participado desse grupo ex-ministros, como Onyx Lorenzoni (PL) e Gilson Machado (PL); atuais senadores, como Magno Malta (PL-ES) e Jorge Seif (PL-SC); o ex-assessor internacional Filipe Martins e o general Mario Fernandes.

Malta se disse disposto a "esclarecer dúvidas" das autoridades e ressaltou que as conversas com o ex-presidente naquele período envolviam "orações e consolo". Seif negou ter incitado Bolsonaro a tentar um golpe de Estado. E afirmou que tomará "medidas jurídicas cabíveis contra denunciação caluniosa" no caso. O Estadão buscou contato com todos os demais mencionados na reportagem.

Fraude

Existiam duas ramificações nesse grupo, de acordo com Cid. Um "menos radical" queria achar uma fraude nas urnas; o segundo era "a favor de um braço armado" e cobrava a assinatura de um decreto que levasse a um golpe de Estado.

Martins e Fernandes já foram indiciados pela PF. O general teria sido responsável por elaborar um planejamento operacional para executar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e os então candidatos eleitos Lula e Geraldo Alckmin. Já Martins "atuou de forma proeminente na interlocução com juristas para elaborar uma minuta de teor golpista", segundo a PF. O documento ficou conhecido como "minuta do golpe".

Nessa primeira delação, Cid identificou outros dois grupos, além da ala radical, no entorno do ex-presidente. Um deles aconselhava Bolsonaro a recomendar aos acampados em quartéis do Exército que fossem para casa. Desse núcleo faziam parte o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o então advogado-geral da União Bruno Bianco, o então ministro da Casa Civil e atual senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior.

Outro grupo sugeria que "nada poderia ser feito diante do resultado das eleições". Era composto por generais da ativa, como o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira e o comandante do Exército à época, Marco Antônio Freire Gomes. Nesse último segmento havia uma ramificação dos que incentivavam o então presidente a sair do Brasil.

Conforme as investigações foram avançando e após Cid ter sido inquirido por investigadores em mais oportunidades, porém, alguns desses nomes inicialmente apontados como mais moderados acabaram sendo indiciados pela PF por participação na tentativa de golpe, como Nogueira de Oliveira.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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