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Venezuela suspende acordo energético com Trinidad e Tobago após manobras militares dos EUA

Decisão de Nicolás Maduro ocorre em meio a tensões com exercícios militares entre o país caribenho e os Estados Unidos, que Caracas considera ameaça.

Joice Gomes

29 de outubro de 2025 às 16:45

EUA mobilizam o maior porta-aviões do mundo.

EUA mobilizam o maior porta-aviões do mundo. Créditos: Alyssa Joy/Marinha dos Estados Unidos

A Venezuela anunciou, nesta segunda-feira (27), a suspensão imediata do acordo energético que mantinha com Trinidad e Tobago desde 2015, decisão tomada pelo presidente Nicolás Maduro em resposta às recentes manobras militares conjuntas entre o país caribenho e os Estados Unidos. O acordo previa cooperação no setor de gás natural entre as duas nações, fundamental para o desenvolvimento dos blocos de gás compartilhados.

Maduro classificou a presença do contratorpedeiro americano USS Gravely em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago, para exercícios militares no Caribe, como uma ameaça direta à segurança venezuelana. Segundo ele, essas operações Americanas, enquadradas oficialmente no combate às drogas, na realidade têm o objetivo de desestabilizar seu governo.

Durante seu programa semanal de televisão, Maduro afirmou: "Aprovei a medida cautelar de suspensão imediata de todos os efeitos do acordo energético e de tudo o que foi acordado nesta matéria. Está tudo suspenso!". A decisão foi apoiada pela vice-presidente e ministra de Hidrocarbonetos, Delcy Rodríguez, que recomendou formalmente o rompimento do acordo junto à estatal PDVSA.

Em resposta à suspensão, a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, declarou que o país "não está sujeito a chantagens políticas", ressaltando sua independência política e reafirmando que o futuro da nação não depende da Venezuela.

Além disso, o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, acusou os Estados Unidos de planejarem uma operação de “falsa bandeira” para incriminar o governo de Maduro durante os exercícios militares, informando ainda a prisão de quatro pessoas ligadas a uma suposta célula criminosa financiada pela CIA.

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O rompimento do acordo energético evidencia a crescente tensão política e militar na região do Caribe, com o país vizinho respondendo duramente à parceria estratégica entre Trinidad e Tobago e os Estados Unidos. Este episódio destaca o agravamento do confronto indireto entre Caracas e Washington.

O acordo energético, até então, havia sido fundamental para o desenvolvimento dos recursos de gás natural compartilhados entre os dois países. A suspensão poderá impactar a produção e a cooperação energética regional, que já convivem com um cenário de instabilidade geopolítica.

Essa crise acontece em um contexto de forte mobilização militar dos EUA na região, com a chegada de navios de guerra americanos ao Caribe para operações conjuntas, intensificando a volatilidade das relações diplomáticas sul-americanas.

O desfecho dessa nova etapa de tensão na região será decisivo para o futuro dos acordos comerciais e para a estabilidade política no Caribe, enquanto a Venezuela busca reafirmar sua soberania diante das pressões externas.

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