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Pesquisadores chineses identificam novo coronavírus em morcegos que pode infectar humanos

Descoberta explica que esse novo vírus possui uma alta afinidade para se ligar a células humanas da mesma forma que a Covid-19.

22 de fevereiro de 2025 às 07:40   - Atualizado às 07:51

PERNAMBUCO confirma circulação do METAPNEUMOVÍRUS e casos são identificados

PERNAMBUCO confirma circulação do METAPNEUMOVÍRUS e casos são identificados Imagem: Arte/Portal de Prefeitura

Pesquisadores da China descobriram um novo tipo de coronavírus que, assim como o SARS-CoV-2 - o vírus que provocou a pandemia da covid-19 -, possui alta afinidade para se conectar e infectar células humanas.

O HKU5-CoV-2, uma segunda linhagem da família dos merbecovírus (uma subfamília dos coronavírus), foi identificado e localizado em morcegos pelo Instituto de Virologia de Wuhan.

Transformado em um artigo publicado na revista científica Cell, o estudo explica que esse novo vírus possui uma alta afinidade para se ligar a células humanas por meio do receptor ACE2 (sigla em inglês para Enzima Conversora de Angiotensina 2), a mesma porta de entrada usada pelo vírus da covid-19.

"Os coronavírus da família merbecovírus eram considerados capazes de entrar nas células utilizando o receptor DPP4 da célula hospedeira. Este estudo identifica um merbecovírus de morcegos Pipistrellus que é capaz de entrar nas células de outros mamíferos via ACE2 e descreve a base estrutural para a interação do HKU5 com o ACE2 humano", diz a pesquisa.

O HKU5-CoV-2 pertence a grande família dos coronavírus, mais especificamente dos merbecovírus, a mesma que gerou a epidemia de Mers (sigla em inglês para Síndrome Respiratória do Oriente Médio), entre 2012 e 2015, em países da Ásia.

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Já o SARS-CoV, por exemplo, também é um tipo de coronavírus, mas integrante da subfamília sarbecovírus, responsável pela epidemia de Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no início dos anos 2000 e da pandemia de covid-19.

Conforme o estudo chinês, os merbecovírus presentes nos morcegos do gênero Pipistrellus infectados mostraram um alto risco de spillover (adaptação para outras espécies) para humanos, seja por transmissão direta ou facilitada por hospedeiros intermediários - como os animais pangolins ou visons.

Na avaliação do infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe de Departamento de Infectologia da Unesp, a recente descoberta do HKU5-CoV-2 "desperta atenção", uma vez que existe a possibilidade deste novo vírus sofrer mutações futuras e levar ao surgimento de linhagens capazes de ameaçar a saúde humana.

"O HKU5-CoV-2 ainda não se liga às células humanas com a mesma eficiência que o SARS-CoV-2, mas ele já demonstrou a capacidade de infectar células de órgãos humanos cultivadas em laboratório. Esse fato sugere que, com o tempo e sob as condições certas, o vírus pode evoluir e aumentar sua capacidade de transmissão para as pessoas", afirma.

No entanto, o infectologista explica que é cedo para soar qualquer tipo de alarme, uma vez que não há comprovação ainda de que o HKU5-CoV-2, apesar de transmissível, seja patogênico.

"Não é possível afirmar, ainda, que esse novo tipo de coronavírus seja capaz de causar uma doença grave ou até mesmo um simples resfriado", diz o especialista, que também é coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia.

No caso de uma evolução deste novo coronavírus, as vacinas usadas contra a covid-19, produzidas para combater o SARS-Cov-2, não teriam efeito contra HKU5-CoV-2.

"Essa nova linhagem é completamente diferente dos vírus anteriormente identificados, e provavelmente não sofrerá ação pela resposta imune criada pelas vacinas já existentes", afirma o especialista.

Para Naime, o mais importante e fundamental é fazer o trabalho de vigilância genômica contínua dos vírus respiratórios em animais. O processo de vigilância genômica consiste em monitorar os genomas de agentes infecciosos, analisar semelhanças e diferenças de cepas que estão em circulação e coletar dados para o controle dos patógenos de uma possível doença antes que a situação se torne um problema de saúde pública.

"A pandemia de covid-19 deixou claro o quanto é essencial contar com sistemas de alerta precoce para novas doenças, além da necessidade de aprofundar pesquisas sobre vírus zoonóticos e fortalecer a cooperação internacional na vigilância de patógenos emergentes. O acompanhamento rigoroso dessas mutações virais é essencial para prevenir futuras pandemias e proteger a população global", afirmou.

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