Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que envolve Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia e os 27 Estados do bloco europeu, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. No entanto, França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda se posicionam contrários à assinatura, prevista para ocorrer nos próximos dias.
Produtores europeus argumentam que a abertura do mercado para produtos sul-americanos, carnes, grãos, café e frutas, representa concorrência desleal, devido a custos de produção mais baixos no Mercosul. Na França, 350 tratores ocuparam a Champs-Élysées em protesto, simbolizando a tensão crescente no setor agrícola.
O tratado prevê eliminação gradual de tarifas em até 15 anos, atingindo 77% dos produtos agropecuários importados pela UE e permitindo quotas para itens sensíveis, como carne bovina (99 mil toneladas/ano). Para o Brasil, isso pode fortalecer o agronegócio, enquanto consumidores europeus e setores industriais se beneficiam do acesso a produtos mais baratos.
Para os países europeus, porém, a preocupação é dupla: a diferença em normas sanitárias e de bem-estar animal entre Mercosul e UE e o impacto político interno, pois o setor agrícola é altamente organizado e exerce grande influência eleitoral, especialmente na França e Irlanda.
Especialistas afirmam que, embora os benefícios econômicos totais sejam modestos, o acordo tem importância geopolítica, reduzindo a dependência europeia da China e garantindo acesso a minerais estratégicos como lítio, grafite e níquel. Para o Brasil, o pacto pode baixar custos de importação de máquinas e insumos industriais, além de abrir novas oportunidades para exportações agrícolas.
Segundo o Ipea, o impacto geral para a balança comercial brasileira entre 2024 e 2040 deve ficar próximo de zero, considerando os efeitos combinados de importações e exportações. Ainda assim, setores específicos do agronegócio devem se beneficiar de forma mais direta.
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