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Marrocos sob acusação de matar cães de rua antes da Copa de 2030

Organizações de proteção animal denunciam que milhares de cães são abatidos em nome da preparação para o Mundial.

Pollyana Leite

18 de novembro de 2025 às 16:48   - Atualizado às 16:50

Cães de rua em Marrocos: ONG denuncia que animais são capturados e mortos antes da Copa de 2030.

Cães de rua em Marrocos: ONG denuncia que animais são capturados e mortos antes da Copa de 2030. Foto: Freepik

Ativistas de direitos dos animais estão acusando Marrocos de promover, em várias cidades, uma matança de cães de rua nas vésperas da Copa do Mundo de 2030. Segundo a Coalizão Internacional de Bem-Estar e Proteção Animal (IAWPC), até três milhões de cães estariam em risco de serem mortos por métodos cruéis, como tiros, envenenamento e aprisionamento.

De acordo com relatos da IAWPC, equipes supostamente ligadas a autoridades percorrem ruas à noite com rifles ou pistolas, atirando contra os animais. Há também denúncias de que pessoas usam bastões com seringas para injetar veneno ou distribuem iscas envenenadas às mãos dos cães.

As organizações afirmam ainda que muitos cães capturados são arrastados por garras metálicas até serem colocados em vans com outros animais assustados. Após o transporte, segundo os ativistas, os cães seriam mortos em “dispensários” construídos perto das cidades que devem sediar partidas da Copa. 

Esse cenário tem gerado indignação internacional. A UNCRC (Comitê dos Direitos da Criança da ONU) emitiu um parecer observando que essas mortes ocorrem frequentemente na presença de crianças, o que pode causar impacto psicológico profundo. A IAWPC afirma que já procurou a ONU para pedir intervenção urgente.

Por outro lado, autoridades marroquinas rejeitam as acusações de extermínio em massa. O diretor do Departamento de Saúde Pública e Espaços Verdes do Ministério do Interior, Mohamed Roudani, afirmou que não existe uma campanha para “eliminar três milhões de animais” antes da Copa. Ele destacou que não há base para esses números

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Em vez disso, o governo defende que adota um programa chamado TNVR (“Trap, Neuter, Vaccinate, Release” capturar, esterilizar, vacinar e soltar), oficialmente iniciado em 2019. Esse método, segundo as autoridades, visa controlar a população de cães de rua de modo mais humano e sustentável.

Roudani e outros responsáveis dizem que o risco de raiva justifica o esforço. Eles apontam que cerca de 100 mil mordidas são registradas por ano, com 40% dos casos envolvendo crianças menores de 15 anos. Ainda assim, ativistas afirmam que algumas prefeituras ignoram as diretrizes do programa e continuam usando métodos letais. Segundo a NSPCA (Conselho Nacional de SPCA, da África do Sul), vídeos de dezembro de 2024 mostram equipes envenenando cães e deixando animais feridos para morrer. 

Em resposta às críticas, Marrocos investe em infraestrutura para abrigar animais. Segundo o governo, foram aplicados dezenas de milhões para construir centros veterinários e reforçar equipes nas prefeituras. No entanto, ativistas contestam que esses locais seriam, na verdade, estações para matar os cães longe de olhos públicos. 

Algumas denúncias partem de cidades específicas. Em Ifrane, por exemplo, uma jovem de 19 anos disse à CNN que já acordou com tiros e encontrou cães mortos em lixeiras. Já outras fontes relatam que vans pertencentes à empresa municipal Casa Baia recolhem os animais usando redes e correntes. Uma moradora estrangeira que cuidava de filhotes relatou que suas próprias crias foram levadas, uma teve as pernas quebradas, e a outra morreu.

Organizações como a World Animal Protection afirmam que muitos cães mortos eram saudáveis, esterilizados e vacinados. Elas pedem que Marrocos adote de vez métodos humanitários e cumpra seu compromisso com o programa de TNVR. 

Apesar das denúncias, há avanços no campo legal: segundo reportagens da imprensa, Marrocos pretende criar uma lei para proteger animais, exigindo vacinação, penalizando maus-tratos e reforçando responsabilidade social. 

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