Nikolas Maduro e Igrejas Foto: Reprodução/IA
A perseguição religiosa na Venezuela tem se manifestado de forma menos explícita do que em países onde a fé é criminalizada, mas ainda assim preocupa organizações internacionais de direitos humanos. Relatórios recentes indicam que padres, pastores e bispos católicos e evangélicos enfrentam intimidação, vigilância e pressões institucionais, principalmente quando criticam políticas do governo ou denunciam abusos de poder, violência estatal e violações de direitos humanos.
Segundo entidades que monitoram a liberdade religiosa, líderes religiosos que abordam questões sociais sensíveis em sermões, homilias ou meios de comunicação são monitorados pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN). A vigilância envolve visitas intimidatórias, coleta de informações pessoais, campanhas de difamação em mídias alinhadas ao governo e advertências informais para que reduzam críticas públicas.
Além da vigilância estatal, líderes e fiéis relatam ameaças e hostilidade de grupos armados pró-governo, conhecidos como colectivos. Igrejas sofreram vandalismo, interrupções de cultos, intimidação de fiéis e ataques verbais após manifestações públicas de líderes cristãos em defesa dos direitos humanos.
O uso da Lei Contra o Ódio também é apontado como ferramenta de intimidação contra líderes religiosos críticos, mesmo quando denunciam injustiças de forma pacífica. O simples risco de punição contribui para um clima de autocensura e restringe a liberdade de expressão.
A pressão se estende a aspectos administrativos: há registros de entraves burocráticos para renovação de vistos de missionários estrangeiros e de retirada de apoio a projetos sociais ligados à Igreja Católica, como escolas, hospitais e iniciativas comunitárias. Observadores internacionais consideram essas ações formas indiretas de retaliação política contra instituições críticas.
No setor de comunicação, emissoras de rádio com programação religiosa foram fechadas ou suspensas, especialmente quando ofereciam espaço a mensagens críticas ou debates sobre a crise venezuelana, limitando o acesso de comunidades vulneráveis à informação e ao apoio social.
Especialistas ressaltam que a Venezuela não é um dos países com perseguição religiosa sistemática baseada exclusivamente na fé, mas apresenta padrões consistentes de pressão política sobre lideranças religiosas independentes, criando medo, controle ideológico e restrições à liberdade de expressão.
Com a captura de Maduro pelos EUA, analistas avaliam que o país pode iniciar uma fase de transição, ainda incerta, que poderá afetar diretamente a liberdade religiosa. Organizações como Christian Solidarity Worldwide e relatórios internacionais de direitos humanos destacam que a perseguição religiosa na Venezuela está profundamente ligada à crise democrática e à instabilidade institucional.
Em meio à crise econômica e à migração em massa, líderes cristãos continuam desempenhando papel central na assistência social, frequentemente enfrentando riscos pessoais para manter seu compromisso com a dignidade humana e os direitos da população mais vulnerável.
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