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Líderes cristãos relatam intimidação e vigilância na Venezuela sob governo Maduro

Relatórios internacionais indicam pressão política, ameaças e restrições contra padres e pastores que criticam o regime e denunciam violações de direitos humanos.

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06 de janeiro de 2026 às 10:10   - Atualizado às 10:29

Nikolas Maduro e Igrejas

Nikolas Maduro e Igrejas Foto: Reprodução/IA

A perseguição religiosa na Venezuela tem se manifestado de forma menos explícita do que em países onde a fé é criminalizada, mas ainda assim preocupa organizações internacionais de direitos humanos. Relatórios recentes indicam que padres, pastores e bispos católicos e evangélicos enfrentam intimidação, vigilância e pressões institucionais, principalmente quando criticam políticas do governo ou denunciam abusos de poder, violência estatal e violações de direitos humanos.

Segundo entidades que monitoram a liberdade religiosa, líderes religiosos que abordam questões sociais sensíveis em sermões, homilias ou meios de comunicação são monitorados pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN). A vigilância envolve visitas intimidatórias, coleta de informações pessoais, campanhas de difamação em mídias alinhadas ao governo e advertências informais para que reduzam críticas públicas.

Ameaças de grupos pró-governo e repressão legal

Além da vigilância estatal, líderes e fiéis relatam ameaças e hostilidade de grupos armados pró-governo, conhecidos como colectivos. Igrejas sofreram vandalismo, interrupções de cultos, intimidação de fiéis e ataques verbais após manifestações públicas de líderes cristãos em defesa dos direitos humanos.

O uso da Lei Contra o Ódio também é apontado como ferramenta de intimidação contra líderes religiosos críticos, mesmo quando denunciam injustiças de forma pacífica. O simples risco de punição contribui para um clima de autocensura e restringe a liberdade de expressão.

Pressão institucional e restrições à mídia religiosa

A pressão se estende a aspectos administrativos: há registros de entraves burocráticos para renovação de vistos de missionários estrangeiros e de retirada de apoio a projetos sociais ligados à Igreja Católica, como escolas, hospitais e iniciativas comunitárias. Observadores internacionais consideram essas ações formas indiretas de retaliação política contra instituições críticas.

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No setor de comunicação, emissoras de rádio com programação religiosa foram fechadas ou suspensas, especialmente quando ofereciam espaço a mensagens críticas ou debates sobre a crise venezuelana, limitando o acesso de comunidades vulneráveis à informação e ao apoio social.

Impacto e contexto da perseguição religiosa na Venezuela

Especialistas ressaltam que a Venezuela não é um dos países com perseguição religiosa sistemática baseada exclusivamente na fé, mas apresenta padrões consistentes de pressão política sobre lideranças religiosas independentes, criando medo, controle ideológico e restrições à liberdade de expressão.

Com a captura de Maduro pelos EUA, analistas avaliam que o país pode iniciar uma fase de transição, ainda incerta, que poderá afetar diretamente a liberdade religiosa. Organizações como Christian Solidarity Worldwide e relatórios internacionais de direitos humanos destacam que a perseguição religiosa na Venezuela está profundamente ligada à crise democrática e à instabilidade institucional.

Em meio à crise econômica e à migração em massa, líderes cristãos continuam desempenhando papel central na assistência social, frequentemente enfrentando riscos pessoais para manter seu compromisso com a dignidade humana e os direitos da população mais vulnerável.

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