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Governo chinês pede liberdade imediata de Maduro e Cilia Flores

Governo chinês condena operação militar americana na Venezuela e pede negociação política para resolver a crise.

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04 de janeiro de 2026 às 12:45   - Atualizado às 12:54

TRUMP afirma que China pode ajudar a ENCERRAR GUERRA entre Rússia e Ucrânia

TRUMP afirma que China pode ajudar a ENCERRAR GUERRA entre Rússia e Ucrânia Fotos: Reprodução / Internet

O governo da China exigiu neste domingo (4/1) a libertação imediata do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos no país sul-americano. A manifestação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores chinês e reforça a posição de Pequim contra qualquer intervenção externa.

Segundo a nota oficial, a situação na Venezuela deve ser tratada por meio de negociações políticas e diplomáticas, sem o uso da força. Pequim também exigiu garantias de integridade física e segurança para Maduro e Cilia Flores, classificando a remoção do casal como uma violação do direito internacional.

Críticas à ação dos EUA

A posição chinesa reforça críticas anteriores à ofensiva americana, que, segundo Pequim, representa um ataque direto à soberania de um Estado independente. O governo chinês afirmou ter ficado “profundamente chocado” com a operação, que desrespeita o princípio da não intervenção, considerado um pilar das relações internacionais.

Além disso, a nota chinesa descreve a postura dos Estados Unidos como hegemônica, alertando que a ação pode ampliar tensões e comprometer a estabilidade e a segurança na região.

Relação estratégica entre China e Venezuela

Aliada próxima da Venezuela, a China mantém fortes laços políticos e econômicos com Caracas. Em diversas ocasiões, Pequim reiterou que eventuais crises no país sul-americano devem ser solucionadas internamente pelos próprios venezuelanos, sem interferência externa.

A exigência chinesa pela libertação de Maduro e Cilia Flores reflete também o esforço de Pequim para proteger seus interesses estratégicos na América Latina, ao mesmo tempo em que reafirma sua postura contra intervenções militares de outros países.

China sob comando do Partido Comunista

China é, hoje, uma das maiores potências globais econômica, militar e geopolítica. Mas, por trás do avanço tecnológico, dos altos arranha-céus e das parcerias comerciais bilionárias, há um sistema rígido de governo que desperta questionamentos no cenário internacional: o regime político da China.

Diferente das democracias ocidentais, onde o poder é compartilhado entre diferentes partidos e há eleições diretas, a China é governada há mais de sete décadas por um único partido, o Partido Comunista Chinês (PCC). O país é uma república socialista de partido único, e isso tem consequências profundas sobre a forma como o poder é exercido e sobre as liberdades individuais dos cidadãos.

Partido Comunista no controle absoluto

regime político da China tem como base a hegemonia do Partido Comunista, fundado em 1921 e no poder desde 1949, quando Mao Tsé-Tung proclamou a República Popular da China. Desde então, não houve alternância de poder.

Na prática, isso significa que todas as instituições — o governo, o exército, a justiça, o parlamento, a imprensa e até organizações religiosas — estão sob influência direta do PCC. O Presidente da República também é o Secretário-Geral do Partido e o Comandante Supremo das Forças Armadas, reunindo em si os maiores poderes do país. Atualmente, esse cargo é ocupado por Xi Jinping, no poder desde 2013.

Diferente do Brasil e de outras democracias, não há eleições livres para os cargos mais altos da política chinesa. A população participa apenas de pleitos locais, e mesmo assim, os candidatos precisam estar alinhados ao Partido. Os cargos-chave, como o de presidente e de primeiro-ministro, são definidos internamente pelo PCC, sem voto popular.

Além disso, partidos de oposição não são permitidos. Existem oito partidos “satélites”, que funcionam apenas como apoio ao governo e não têm poder real de decisão. Assim, o regime político da China é considerado por analistas internacionais como autoritário ou ditatorial.

Liberdade de expressão? Censura é a regra

A censura é um dos pilares do regime. Críticas ao governo, manifestações públicas, protestos e denúncias são reprimidos com severidade. A imprensa funciona sob o olhar atento do Estado, e plataformas estrangeiras como Google, Facebook, YouTube, Instagram e Twitter são bloqueadas. No lugar, existem versões chinesas controladas pelo governo.

Jornalistas, ativistas e até cidadãos comuns podem ser detidos por postagens nas redes sociais consideradas “subversivas”. Em 2023, por exemplo, uma jovem de Xangai foi presa após publicar críticas à política de “Covid zero” do governo.

Educação e vigilância ideológica

Nas escolas e universidades, o conteúdo educacional é moldado pelo Estado. O regime promove o nacionalismo, o culto à figura dos líderes comunistas e o orgulho pela estabilidade alcançada sob o comando do Partido.

Com o avanço da tecnologia, o regime político da China também aposta em um sistema de vigilância digital em massa. Câmeras com reconhecimento facial estão espalhadas pelas cidades, e há um “sistema de crédito social” que avalia o comportamento dos cidadãos, podendo puni-los por atitudes como atravessar fora da faixa ou fazer críticas online.

Por que o regime da China importa para o mundo?

A China não é apenas um país com quase 1,4 bilhão de habitantes. É também o maior parceiro comercial de dezenas de nações — incluindo o Brasil —, uma das maiores economias do planeta e membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Por isso, entender como funciona o regime político da China é essencial para compreender seus interesses estratégicos, alianças internacionais e até suas decisões sobre direitos humanos.

Enquanto internamente o país se apresenta como uma “ditadura moderna”, com foco em crescimento e estabilidade, internacionalmente adota uma postura cada vez mais assertiva, desafiando o modelo liberal defendido por Estados Unidos e União Europeia.

Vozes silenciadas e resistência

Apesar do controle rígido, há resistência. Protestos recentes, como os que aconteceram em Hong Kong e as manifestações silenciosas contra as restrições da pandemia, mostram que há uma parcela da população que clama por mais liberdade. No entanto, o preço da oposição pode ser alto: prisão, desaparecimento ou exílio.

Em resumo:

  • regime político da China é centralizado e controlado pelo Partido Comunista;
  • Não há eleições livres nem alternância de poder;
  • O Estado exerce forte controle sobre a imprensa, a internet e o sistema judiciário;
  • Liberdades civis, como expressão e manifestação, são severamente limitadas;
  • O sistema impacta a geopolítica global e desafia valores democráticos internacionais.

A pergunta que permanece é: será que um modelo sem liberdade, mas com eficiência econômica, é sustentável a longo prazo? E até que ponto o mundo estará disposto a negociar com uma superpotência que não compartilha os mesmos valores democráticos?

O debate está lançado — e entender o funcionamento do regime político da China é o primeiro passo para formar uma opinião crítica sobre esse gigante silencioso que influencia diretamente a vida em todos os continentes.

Lado positivo do regime

Graças à centralização do poder no Partido Comunista Chinês (PCC), o país consegue manter planos estratégicos de 10, 20 ou até 30 anos, como os famosos Planos Quinquenais, com metas claras para setores como infraestrutura, tecnologia, energia e educação. Essa continuidade permite que a China invista pesadamente em inovação, mobilidade urbana, redução da pobreza e desenvolvimento tecnológico — com resultados visíveis, como:

  • A construção de trilhões de dólares em infraestrutura moderna, como ferrovias de alta velocidade, pontes e cidades inteligentes;
  • A ascensão como líder mundial em energia renovável, principalmente solar e eólica;
  • O avanço acelerado em inteligência artificial, telecomunicações (como o 5G) e indústria de semicondutores.

Esse modelo de planejamento estatal eficiente é um diferencial competitivo — embora não isento de críticas — que muitos países em desenvolvimento ainda não conseguem replicar com a mesma consistência.

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