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Cometa interestelar 3I/ATLAS pode ter amostra coletada em feito histórico pela primeira vez

Sonda Europa Clipper pode cruzar a cauda do cometa 3I/ATLAS, coletando partículas de outro sistema estelar e revolucionando a astronomia.

Joice Gomes

30 de outubro de 2025 às 20:38

Sonda da NASA pode coletar pela 1ª vez partículas do cometa interestelar 3I/ATLAS.

Sonda da NASA pode coletar pela 1ª vez partículas do cometa interestelar 3I/ATLAS. Créditos: NASA/JPL Caltech

Um momento sem precedentes está prestes a acontecer na astronomia: a sonda Europa Clipper, da NASA, pode atravessar a cauda do cometa interestelar 3I/ATLAS entre os dias 30 de outubro e 6 de novembro de 2025, coletando pela primeira vez amostras diretas de um objeto vindo de fora do Sistema Solar. Essa oportunidade inédita abre portas para o estudo do material cósmico originado em outro sistema estelar, sem desvios causados pelo espaço interestelar.

O 3I/ATLAS é o terceiro corpo interestelar já detectado transitando pela vizinhança do Sistema Solar, após 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov. Descoberto em julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, o cometa vem chamando atenção pela sua composição química e trajetória hiperbólica — ele não está gravitacionalmente ligado ao Sol e se desloca a uma velocidade de mais de 210 mil km/h. Com um diâmetro estimado entre 440 metros e 5,5 km, o 3I/ATLAS pode ter até bilhões de anos, originando-se de regiões antigas da Via Láctea ainda pouco exploradas.

A sonda Europa Clipper, programada para estudar a lua Europa em Júpiter, não tinha como objetivo interceptar o cometa. Entretanto, cientistas do Instituto Meteorológico Finlandês e da Agência Espacial Europeia (ESA) modelaram a dinâmica do vento solar e de sua interação com a cauda iônica do 3I/ATLAS. A simulação revelou que partículas ionizadas do cometa podem ser arrastadas para a rota da sonda, que poderá captá-las sem qualquer manobra especial.

A sonda Europa Clipper, da NASA, enfrenta um possível risco de colisão com partículas do cometa. A sonda Europa Clipper, da NASA, enfrenta um possível risco de colisão com partículas do cometa. Créditos: Reprodução/Whisk

A coleta dessas partículas interestelares pode revelar a "assinatura química" de um sistema planetário distante, formado há bilhões de anos, e fornecer dados essenciais para entender melhor a formação de mundos fora do nosso sistema. Segundo especialistas, esse pode ser o momento mais próximo que a humanidade chega de estudar material autenticamente exógeno em sua forma pura.

A passagem próxima do cometa ao Sol também permite observações da resposta do corpo diante da intensa radiação, com a liberação de jatos de gás e poeira que formam uma coma vívida. Curiosamente, observações do telescópio James Webb indicam uma alta concentração de dióxido de carbono na coma do 3I/ATLAS, incomum para cometas conhecidos, o que aumenta o interesse científico pelo fenômeno.

Este evento abre novas possibilidades para a astronomia espacial e o entendimento dos processos de formação de sistemas planetários no universo, proporcionando um contato direto com material que pode conter pistas da história galáctica e da evolução cósmica. A expectativa é alta para que a operação da Europa Clipper registre esses dados históricos durante sua missão.

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