Passagem inédita do cometa 3I/ATLAS dentro da órbita de Marte traz dados únicos, promove treinamento global de astrônomos e pode revelar segredos sobre a formação de sistemas planetários.
Imagem da NASA do Cometa 3I/ATLAS Foto: Divulgação / NASA
O universo acaba de entregar mais um espetáculo raro: o cometa 3I/ATLAS, recém-identificado, cruzou a órbita de Marte em velocidade impressionante, superando a marca de 210 mil quilômetros por hora, e virou objeto de estudo prioritário para cientistas em todo o mundo. O evento desperta atenção especial por se tratar de uma passagem inédita e hiperbólica, ou seja, o corpo não pertence ao nosso Sol, sendo, na verdade, um visitante de fora do Sistema Solar.
O fenômeno ocorre justamente no periélio, ponto de maior proximidade do cometa com o Sol, estimulando observatórios globais a se unirem em um esforço para medir e decifrar a trajetória, brilho e composição deste corpo cósmico, antes que ele desapareça novamente no espaço profundo. Para os especialistas, cada minuto conta na tentativa de extrair o máximo de informações científicas deste evento singular.
A passagem do 3I/ATLAS transformou-se em uma verdadeira maratona internacional. Diversos observatórios credenciados participaram de um treinamento especial promovido pela Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN), programado para durar dois meses, justamente para testar e calibrar técnicas e softwares de medição orbital em tempo real. O objetivo é aprimorar a astrometria aplicada a corpos de trajetória imprevisível, elevando o grau de precisão das previsões futuras sobre asteroides que possam representar riscos à Terra.
Esse laboratório ao vivo mobiliza dezenas de países e reforça a importância de redes científicas globais, especialmente diante de oportunidades raras como a travessia desse cometa. A iniciativa contribui diretamente para elevar os padrões de monitoramento de objetos próximos, em consonância com protocolos internacionais de segurança cósmica.
O 3I/ATLAS já surpreendeu astrônomos por suas particularidades físicas. Descoberto em julho pela rede ATLAS no Chile, o cometa se desloca em uma órbita hiperbólica que evidencia seu caráter totalmente desvinculado da gravidade do Sol. Em seu ponto de máxima aproximação, ele esteve a apenas 1,4 unidade astronômica do astro, distante 210 milhões de quilômetros em relação ao plano orbital de Marte, uma proximidade notável para padrões científicos, mas sem qualquer risco para o planeta Terra.
A velocidade e a instabilidade de sua trajetória tornam cada registro valioso, colaborando para aprimorar metodologias de rastreamento e simulação orbital aplicáveis tanto a cometas extrassolares quanto a potenciais ameaças vindas do espaço.
Além dos dados de velocidade e trajetória, o 3I/ATLAS apresenta uma composição fora do padrão: observações detalhadas do Telescópio Espacial James Webb revelaram uma coma dominada por dióxido de carbono oito vezes mais CO do que água, uma proporção inédita na história dos cometas conhecidos. Isso indica possível origem em regiões geladas e remotas de outros sistemas estelares, onde o CO permanece congelado por ciclos extensos.
Esse achado está reconfigurando discutidas teorias sobre a formação de cometas e mistérios da química interestelar, já que, até então, predominava a presença de água nas estruturas cometárias observadas.
O estudo do cometa 3I/ATLAS promete redefinir conceitos sobre o comportamento térmico e químico dos corpos interestelares, influenciando todas as áreas relacionadas à dinâmica planetária, química cósmica e transferência de matéria entre estrelas. Uma das missões dos pesquisadores agora é, justamente, cruzar dados de múltiplos instrumentos, incluindo radiotelescópios e observatórios ópticos terrestres, para calcular o potencial volátil e a densidade do núcleo do cometa.
Cada fragmento de informação extraída do 3I/ATLAS permite compreender melhor a diversidade de materiais em diferentes regiões da galáxia e revela como visitas ocasionais de corpos vindos de outros sistemas estelares podem expandir os horizontes da astronomia moderna.
A travessia do cometa 3I/ATLAS dentro da órbita de Marte é mais do que uma curiosidade astronômica: ela reafirma que o Sistema Solar está aberto a surpresas e possibilita novos avanços científicos sempre que um visitante de outros mundos aparece. O evento confirma o valor da cooperação global e do aperfeiçoamento constante das tecnologias de observação, monitoramento e análise, elementos essenciais para revelar segredos sobre nossa origem cósmica e sobre a formação de sistemas planetários além do Sol.
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