Lenda jamaicana que levou o reggae ao mapa mundial morre aos 81 anos após convulsão e pneumonia, e deixa um legado que atravessa gerações e fronteiras culturais.
Cantor Jimmy Cliff, ícone do reggae, morre aos 81 anos após convulsão e pneumonia. Foto: Reprodução/Instagram
O cantor jamaicano Jimmy Cliff, um dos maiores embaixadores do reggae no mundo, morreu aos 81 anos, deixando fãs, artistas e críticos em luto por uma das vozes mais marcantes da música global. A morte foi confirmada pela família em comunicado nas redes sociais do artista, que descreveu o momento como de “profunda tristeza” e agradeceu o apoio dos admiradores ao longo de décadas de carreira. Considerado pioneiro na popularização internacional do reggae, Cliff transformou canções em hinos de resistência, fé e superação para diferentes gerações.
De acordo com a esposa do cantor, Latifa, Jimmy Cliff morreu após sofrer uma convulsão seguida de um quadro de pneumonia, complicações que levaram ao falecimento aos 81 anos. A família pediu respeito à privacidade neste período de luto e adiantou que mais detalhes sobre cerimônias de despedida serão divulgados posteriormente. O anúncio mobilizou imediatamente fãs de vários países, que passaram a compartilhar homenagens, lembranças de shows e trechos de apresentações históricas em redes sociais.
A notícia da morte de Jimmy Cliff foi tornada pública na manhã desta segunda-feira, 24 de novembro, por meio de um comunicado divulgado em sua conta oficial no Instagram e reproduzido por veículos de imprensa internacionais. No texto, a esposa ressaltou a gratidão à família, amigos, colegas artistas e profissionais de saúde que acompanharam o músico em seus últimos dias. Ela também enfatizou que o apoio dos fãs foi “a força” do cantor durante toda a sua trajetória, reforçando o vínculo especial que o artista mantinha com seu público.
A mensagem destacou ainda o cuidado das equipes médicas envolvidas no tratamento, mencionando nominalmente profissionais que acompanharam o cantor. O tom do comunicado reforçou o caráter afetivo da relação de Cliff com as pessoas ao seu redor, tanto nos bastidores quanto sobre o palco. A família deixou claro que, apesar da dor, pretende celebrar a vida e a obra do artista, em vez de se concentrar apenas na circunstância da perda.
Nascido em 1944 em Somerton, na Jamaica, Jimmy Cliff foi fundamental para tirar o reggae das fronteiras da ilha caribenha e projetá-lo para o cenário internacional a partir dos anos 1960 e 1970. Com voz inconfundível e forte presença cênica, ele se tornou um dos primeiros artistas jamaicanos a ocupar as paradas de sucesso em diferentes países, incluindo Estados Unidos e Reino Unido. Sua música uniu espiritualidade, crítica social e romantismo, abrindo caminho para que o reggae se consolidasse como um gênero global.
Entre seus trabalhos mais celebrados estão faixas como “The Harder They Come”, “Many Rivers to Cross” e “You Can Get It If You Really Want”, que ajudaram a definir a identidade do reggae fora da Jamaica. Essas canções atravessaram décadas e continuaram a ser regravadas, usadas em trilhas sonoras e executadas em shows, consolidando Cliff como referência obrigatória quando se fala em música jamaicana. Ao longo do tempo, ele dialogou com diferentes estilos, mas sem perder a essência que o ligava às raízes do reggae.
Jimmy Cliff também deixou sua marca no cinema, principalmente com o filme “The Harder They Come”, produção jamaicana dos anos 1970 em que atuou e cuja trilha sonora se tornou cult e peça-chave na internacionalização do reggae. A obra ajudou a apresentar para o mundo não só sua voz, mas também a realidade social e cultural da Jamaica, num momento em que o país ainda era pouco retratado pelo entretenimento global. O impacto foi tão grande que o longa e o disco seguem frequentemente citados em listas de produções influentes da história da música e do cinema.
Ao longo da carreira, Cliff ganhou dois prêmios Grammy, incluindo o álbum “Cliff Hanger”, de 1985, e “Rebirth”, lançado em 2012, que foi elogiado pela crítica e apareceu entre os melhores discos do ano em publicações especializadas. Ele também recebeu a Order of Merit, uma das mais altas honrarias concedidas pelo governo jamaicano, em reconhecimento ao seu papel cultural para o país. Além disso, entrou para o Rock and Roll Hall of Fame, tornando-se um dos raros jamaicanos – ao lado de Bob Marley – a conquistar esse status.
Pouco após a confirmação da morte, artistas de reggae, pop e outros gêneros começaram a publicar homenagens, destacando a influência de Jimmy Cliff em suas carreiras. Muitos mencionaram que conheceram o reggae por meio das músicas do cantor, antes mesmo de terem contato com outros nomes clássicos do gênero. A despedida veio acompanhada de depoimentos emocionados sobre como suas letras ajudaram a construir narrativas de esperança em contextos de crise social e política.
Fãs também organizaram vigílias espontâneas em cidades da Jamaica e em outros países, reunindo pessoas para ouvir seus discos, acender velas e projetar imagens de apresentações históricas em espaços públicos. Em redes sociais, as mensagens se concentraram em palavras como “gratidão”, “luz” e “resistência”, refletindo o impacto que o artista teve além da música. Muitas postagens lembraram que suas canções frequentemente serviram de trilha sonora para lutas por direitos civis e igualdade racial.
Aos 81 anos, Jimmy Cliff seguia sendo citado por pesquisadores, jornalistas e críticos como um dos principais responsáveis por fazer do reggae uma linguagem universal. Diferentes gerações de músicos – do roots reggae ao pop contemporâneo – apontam sua obra como referência em termos de melodia, interpretação e profundidade de mensagem. Sua discografia dialoga com temas como fé, racismo, espiritualidade e superação, sem perder a acessibilidade que fez suas músicas tocarem em rádios e festivais ao redor do mundo.
Entre os elementos mais lembrados de sua trajetória estão:
Mesmo nas últimas décadas, Cliff seguia ativo em estúdio e em turnês, lançando novos trabalhos e revisitando clássicos em shows lotados em festivais e casas de espetáculo. Em 2022, por exemplo, o álbum “Refugees” marcou seu retorno aos holofotes com composições que abordavam temas contemporâneos como migração, conflitos e busca por acolhimento. A carreira recente demonstrava que, para ele, a música continuava sendo ferramenta de diálogo e transformação.
A morte de Jimmy Cliff encerra um capítulo fundamental da história do reggae, mas não apaga a presença constante de sua obra no imaginário coletivo. Seus discos seguem em catálogo, suas músicas continuam em trilhas sonoras e playlists, e sua imagem permanece associada à ideia de resistência, espiritualidade e esperança que marcou um período decisivo da cultura jamaicana e mundial. Para muitos fãs, ele não foi apenas um cantor, mas um narrador de lutas e sonhos compartilhados em diferentes línguas e realidades.
Em um momento em que o mundo revê símbolos e referências culturais, o legado de Jimmy Cliff ganha ainda mais relevância ao lembrar que a música pode atravessar fronteiras políticas, raciais e religiosas. A despedida do cantor reforça a dimensão histórica de sua contribuição: um artista que começou em uma pequena ilha do Caribe e terminou reconhecido como patrimônio da música mundial. Seus versos e melodias seguem ecoando, agora como tributo permanente a uma vida inteira dedicada à arte.
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