Os agentes apresentaram um mandado de prisão relacionado à permanência irregular de Matheus Silveira após o vencimento do visto de estudante, que expirou durante a pandemia.
Matheus Silveira está há dois meses preso nos EUA. (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)
O brasileiro Matheus Silveira, de 30 anos, está há dois meses preso nos Estados Unidos. Detido em novembro durante a entrevista para obter o green card, ele permanece sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em San Diego, enquanto aguarda autorização para deixar o país e retornar ao Brasil.
O caso ocorreu em 24 de novembro, quando Silveira compareceu a uma entrevista com o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) ao lado da esposa, Hannah Silveira, advogada e veterana do Exército americano. O encontro representava o último passo para a aprovação da residência permanente.
"Era a etapa final do processo, só faltava validarem o nosso casamento", disse Hannah à revista americana Newsweek.
Segundo ela, a entrevista transcorreu normalmente até que uma funcionária avisou que havia "pessoas no corredor" querendo falar com o casal. Em seguida, quatro agentes do ICE entraram na sala, encostaram Matheus na parede e o algemaram.
Os agentes apresentaram um mandado de prisão relacionado à permanência irregular do brasileiro após o vencimento do visto de estudante, que expirou durante a pandemia.
Matheus havia sido detido em 2022 por dirigir sob influência de álcool em Nevada, episódio que, segundo a esposa, ocorreu quando ele tentava levar um amigo embriagado para casa.
O Departamento de Segurança Interna confirmou a prisão à Newsweek.
"O ICE deteve Matheus Silveira, um imigrante ilegal brasileiro com antecedentes criminais que permaneceu nos Estados Unidos após o vencimento de seu visto", afirmou a secretária adjunta Tricia McLaughlin, acrescentando que o pedido de green card "não garante status de residente permanente".
Hannah contou que o marido enfrenta condições precárias no centro de detenção de Otay Mesa, onde divide um quarto com 16 pessoas e passou períodos dormindo no chão.
"Eles não o alimentam bem", afirmou.
O Itamaraty foi procurado e ainda não respondeu ao contato do Estadão.
Silveira teve a saída voluntária aprovada pelas autoridades americanas, o que impede seu retorno aos Estados Unidos pelos próximos dez anos e obriga o casal a abandonar os planos em Minnesota.
"Estamos aliviados por ele sair da detenção, mas tristes por recomeçar em outro país", disse Hannah.
A ex-militar e advogada se mudará para o Rio de Janeiro e busca alternativas profissionais, já que seu diploma não é válido no Brasil.
"Nosso plano era abrir um negócio em Minneapolis. Agora vou recomeçar em outro país, com outro idioma e poucas economias", afirmou, acrescentando que se sentiu traída pelas autoridades americanas. "Não foi exatamente uma armadilha, mas é o mais próximo disso".
Estadão Conteúdo
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