A gordura no fígado, doença silenciosa e frequente. Imagem de brgfx no Freepik
Pouca gente desconfia, mas a gordura no fígado, tecnicamente chamada de esteatose hepática, afeta milhões de brasileiros e pode evoluir silenciosamente até causar danos graves ao organismo. Por trás do quadro, estão hábitos alimentares, sedentarismo e, em alguns casos, doenças metabólicas que passam despercebidas durante anos.
A grande armadilha está no silêncio dos sintomas. Raramente há desconforto ou mal-estar nas fases iniciais, por isso, muitos só descobrem o problema ao fazer ultrassonografia de rotina, exames de sangue ou por outros motivos não relacionados ao fígado. Quando o quadro é avançado, podem surgir fadiga, desconforto abdominal, barriga inchada e alterações nos exames laboratoriais.
A esteatose está relacionada ao excesso de peso, dieta rica em gorduras ou açúcares, consumo excessivo de álcool e sedentarismo. Pessoas com diabetes, colesterol alto, hipertensão ou síndrome metabólica estão em grupo de risco. Casos em crianças ou adolescentes vêm crescendo em todo o país.
Mesmo com progressão lenta, quando aparecem sintomas, normalmente indicam inflamação e lesão no fígado: cansaço intenso, sensação de peso no lado direito do abdômen, olhos amarelados e, em casos mais graves, sinais de cirrose e insuficiência hepática. Insuficiência pode evoluir para necessidade de transplante ou até gerar câncer de fígado.
O exame de ultrassonografia abdominal costuma detectar acúmulo de gordura, mas exames laboratoriais, tomografia, ressonância ou biópsia podem ser indicados em situações específicas, inclusive quando há sinais de inflamação ou fibrose. A avaliação médica é fundamental para confirmar o quadro e excluir outras doenças.
Por ser silenciosa, a gordura no fígado costuma ser descoberta sem querer ou somente quando sintomas avançam. Isso favorece o agravamento e pode limitar os recursos de tratamento, já que danos mais sérios, como fibrose, cirrose ou câncer, muitas vezes não são completamente reversíveis.
Se não tratada, a esteatose pode virar esteato-hepatite (inflamação) e evoluir para fibrose, cirrose e câncer de fígado. Estudos indicam aumento expressivo no risco de mortalidade por doenças hepáticas e cardiovasculares em portadores da condição.
Dieta equilibrada, prática constante de exercícios físicos e combate ao sobrepeso são as melhores formas de evitar o avanço ou mesmo reverter a esteatose hepática nos estágios iniciais.
Não existem medicamentos eficientes para a maioria dos casos. O tratamento envolve controle de doenças associadas (diabetes, hipertensão), reeducação alimentar e perda de peso. Em poucas situações, médicos recomendam vitaminas ou remédios para casos de inflamação mais severa, mas sempre sob rigoroso acompanhamento.
O acompanhamento regular com especialistas, realização de exames preventivos e a observação dos fatores de risco são estratégias essenciais para manter a saúde do fígado e evitar surpresas.
A gordura no fígado é traiçoeira, mas, com atenção ao estilo de vida e check-ups frequentes, pode ser evitada ou revertida antes de causar problemas sérios. Fique atento aos sinais e rotineiramente converse com o seu médico.
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