Presidente Matheus Souto Maior relata dificuldades financeiras encontradas no início da gestão; departamento jurídico prepara medidas após movimentação envolvendo recursos da Liga Forte União.
Ex-presidente do Sport Yuri Romão. (Foto: Paulo Paiva/Sport)
O presidente do Sport, Matheus Souto Maior, voltou a comentar o cenário financeiro encontrado pela atual diretoria ao assumir o comando do clube, em janeiro deste ano. Segundo o dirigente, o Leão iniciou a nova gestão com apenas R$ 47 mil disponíveis em caixa, enquanto as despesas mensais do departamento de futebol alcançavam aproximadamente R$ 12 milhões.
Durante entrevista concedida à Rádio Jornal, o VP Jurídico do clube afirmou que a administração contava com o recebimento de uma parcela da Liga Forte União (LFU), estimada em cerca de R$ 5 milhões, para dar início ao planejamento financeiro. No entanto, o valor não chegou aos cofres rubro-negros, dando origem a uma investigação conduzida pelo departamento jurídico.

O vice-presidente jurídico do clube, Lucas Leite, explicou que a origem do problema está em uma operação de crédito realizada ainda em 2025. Na ocasião, o Sport captou recursos por meio da emissão de debêntures, utilizando como garantia os valores futuros que receberia da Liga Forte União.
De acordo com o dirigente, a operação foi estruturada pela empresa Opea, especializada em securitização de crédito, responsável por disponibilizar os títulos para fundos de investimento. Entre os compradores estaria o fundo Neowise.
Segundo Lucas Leite, o acordo previa que os recursos provenientes da LFU não seriam depositados diretamente na conta do Leão. Os valores deveriam ser direcionados inicialmente à instituição financeira responsável pela operação, que faria a quitação das obrigações assumidas e, posteriormente, repassaria ao clube o saldo remanescente.
A diretoria revelou que esperava receber aproximadamente R$ 14 milhões na última parcela da Liga Forte União. Entretanto, devido aos critérios de distribuição, como desempenho esportivo e audiência, o montante acabou reduzido para cerca de R$ 5 milhões.
Segundo Lucas Leite, logo após a eleição suplementar que definiu a nova administração, o setor financeiro informou que o pagamento ainda não havia sido identificado. Ao aprofundar a apuração, o departamento jurídico constatou uma movimentação bancária envolvendo exatamente esse valor.
De acordo com o dirigente, os recursos entraram e deixaram a conta vinculada à operação no mesmo momento, sendo destinados para a empresa Múltipla, cujo sócio-administrador era o ex-presidente do Sport.
Ainda conforme Lucas, o banco informou que a transferência ocorreu para quitar um contrato de mútuo firmado entre o clube e a empresa. A justificativa apresentada foi de que o empréstimo teria sido realizado por intermédio da Múltipla devido à recuperação judicial vivida pelo Sport.
O vice-presidente jurídico afirmou que a atual gestão questiona a validade da documentação apresentada pela instituição financeira. Um dos principais pontos levantados é o fato de o contrato ter sido assinado pela mesma pessoa representando tanto o Sport quanto a empresa envolvida na operação.
O caso está sendo analisado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central. Paralelamente, o departamento jurídico prepara medidas para levar a discussão à Justiça comum.
Questionado sobre a possibilidade de irregularidades na condução da operação, Matheus Souto Maior preferiu não antecipar conclusões e afirmou que a resposta dependerá do resultado da auditoria em andamento.
Lucas Leite reforçou que as investigações continuam e que a diretoria seguirá acompanhando todos os desdobramentos até que a situação seja completamente esclarecida.
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