Presidente do Cuiabá detona gramado dos Aflitos. Foto: Reprodução
O presidente do Cuiabá Esporte Clube, Cristiano Dresch, fez fortes críticas após a derrota por 1 a 0 para o Náutico, na noite da última sexta-feira, 22 de maio, no Estádio dos Aflitos, em partida válida pela 10ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.
Logo após o fim do jogo, o dirigente reclamou das condições do gramado do estádio, questionou situações relacionadas à arbitragem e também demonstrou irritação com o tratamento recebido durante sua permanência no Recife.
Durante a entrevista, Cristiano Dresch comparou o campo dos Aflitos ao gramado da Arena Pantanal, estádio onde o Cuiabá manda seus jogos. Segundo ele, o clube mato-grossense realiza investimentos elevados para manter boas condições estruturais.
“Vocês conhecem o gramado da Arena Pantanal? O Governo do Estado de Mato Grosso faz investimento altíssimo. O gramado da Arena é um tapete. Vai jogar num campo desse aqui, meu amigo? É o mesmo campeonato”, afirmou o dirigente.
O presidente do Cuiabá também reclamou das condições da bola durante a partida e disse que o estado do gramado dificultou o desempenho técnico das equipes.
“A bola quica, o jogador não consegue dominar a bola. Campo fofo. Campo horrível. É um campeonato que um faz sacrifício para pagar salário e o outro não paga, que um faz sacrifício para cuidar de campo e o outro faz de qualquer jeito”, declarou.
Mesmo com as críticas, Cristiano Dresch afirmou que não considera o gramado responsável direto pela derrota da equipe na capital pernambucana.
“Não tem como se preparar para jogar nele. Você vem aqui para tentar o quê? Para tentar o que dá para fazer. Não dá para a gente estar numa mesma competição, que um força pra caramba para ter um campo perfeito e outro um campo horrível desse. E não perdemos por causa do campo. Não sou chorão. Não vim aqui para dar desculpa”, completou.
Outro ponto que gerou irritação no dirigente foi uma situação envolvendo o acesso à cabine onde acompanhava a partida. Segundo Cristiano Dresch, ele foi impedido de retornar ao local durante o intervalo do jogo.
O presidente do Cuiabá afirmou que nunca viveu situação parecida em mais de duas décadas de atuação no futebol brasileiro.
“Eu desci do intervalo chateado. Para minha surpresa, uma coisa que eu estou há mais de 20 anos no futebol e que nunca aconteceu. Fui proibido de voltar para a cabine que eu assisto o jogo no meio do campo. Me fizeram vir assistir atrás do gol”, relatou.
Cristiano Dresch também afirmou que tentou contato telefônico com o presidente do Náutico, Bruno Becker, mas disse que não recebeu resposta.
“Liguei para o presidente do Náutico e nem coragem de atender teve. Eu não faço esse tipo de papelão. Lá em Cuiabá vai ser bem recebido. Sabe por que vai ser bem recebido? Porque eu estou em 2026. Eu não estou em 1970”, afirmou.
O dirigente ainda criticou a forma como a situação foi conduzida e disse que esperava um tratamento institucional diferente entre clubes que disputam a mesma competição nacional.
“Então vamos respeitar um pouco. Tem um pouco de respeito com as pessoas, que lá em Cuiabá a gente trata super bem. Põe no meio do campo, camarote com ar-condicionado, tem comida. Eu já disputei competições de alto nível. Então meus adversários são adversários durante o jogo ali. Não posso ser tratado da forma que eu fui tratado hoje aqui. Eu não trato ninguém desse jeito”, declarou.
O Cuiabá Esporte Clube vem a público esclarecer os fatos ocorridos durante a partida contra o Náutico.
As informações divulgadas pelo clube pernambucano não correspondem à realidade.
A direção do Cuiabá deixou a “cabine” aos 48” do 1º tempo, e não “pouco antes dos 40”, como afirmou o Náutico, acompanhada por seguranças do próprio clube. O deslocamento pode ser integralmente comprovado pelas imagens do sistema de CFTV, item obrigatório em competições como a Série B, as quais o Cuiabá requererá oficialmente à CBF e STJD.
É importante esclarecer que, ao contrário da grande maioria dos estádios da Série B, nos Aflitos o trajeto entre a cabine e o vestiário visitante passa obrigatoriamente pelo túnel que dá acesso ao gramado. Trata-se, portanto, de um deslocamento operacional natural no intervalo, e não de uma “invasão” de área restrita, como sugere a narrativa do anfitrião.
O presidente do Cuiabá não proferiu agressões verbais contra profissionais da CBF ou integrantes do Náutico. O Cuiabá repudia veementemente essa acusação e desafia o clube pernambucano a apresentar qualquer prova — imagem, áudio ou testemunho idôneo.
A justificativa apresentada pelo Náutico de que o retorno da direção do Cuiabá à cabine “exigiria deslocamento em meio à torcida” corrobora com a total falta de segurança.
Após ser informado da recusa, o presidente do Cuiabá buscou contato, por duas vezes, com o presidente do Náutico, sr. Bruno Becker, com o objetivo de resolver a situação por meio do diálogo institucional entre dirigentes. Não houve qualquer retorno. A versão de que o Cuiabá teria sido cordialmente “direcionado” a outro local omite que o clube anfitrião sequer se dispôs ao diálogo solicitado.
Antes de recorrer à Justiça Desportiva, o Náutico precisa se adequar aos padrões mínimos exigidos por uma competição do porte da Série B:
Gramado em péssimas condições; Acessos inadequados e inseguros; Túnel de acesso ao campo alagado e com lodo.
Condições serão formalmente comunicadas à CBF.
Por fim, o Cuiabá lamenta a tentativa do Náutico de inverter os fatos e antecipar uma narrativa via Justiça Desportiva, ao invés de assumir as próprias responsabilidades.
O Clube Náutico Capibaribe informa que recebeu a delegação do Cuiabá dentro dos protocolos normalmente adotados para clubes visitantes, oferecendo suporte, segurança e toda a assistência necessária durante a partida.
De forma excepcional, e atendendo à solicitação do clube visitante, o presidente do Cuiabá foi acomodado na cabine destinada ao analista de desempenho da equipe, em espaço próximo às tribunas de imprensa, mediante operação específica de acompanhamento e segurança.
Pouco antes dos 40 minutos da primeira etapa, porém, o dirigente deixou o local por conta própria, sem qualquer comunicação com a equipe responsável pela operação, acessou a área próxima ao vestiário alvirrubro e o banco de reservas, passando a adotar comportamento exaltado, com agressões verbais e desrespeito a profissionais do Náutico e da CBF que atuavam na organização da partida.
Diante da quebra do protocolo previamente estabelecido e visando preservar a segurança da operação - inclusive a do próprio dirigente, já que o retorno exigiria deslocamento em meio à torcida - o Náutico não autorizou seu retorno ao espaço inicial e excepcionalmente concedido, direcionando-o ao camarote destinado à delegação visitante, onde estavam os demais integrantes do Cuiabá.
O Clube não admite desrespeito a profissionais em pleno exercício de suas funções e tomará as medidas cabíveis no âmbito da Justiça Desportiva para que condutas dessa natureza não voltem a acontecer.
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