Laércio Guerra, presidente do Retrô. Foto: Divulgação / Redes sociais
Uma das principais vozes dos clubes intermediários de Pernambuco decidiu colocar os pingos nos is. Presidente do Retrô, Laércio Guerra negou que tenha interesse em disputar a presidência da Federação Pernambucana de Futebol, mas aproveitou a discussão sobre o futuro da entidade para fazer cobranças importantes.
Em entrevista à Rádio Jornal, o dirigente explicou que seu nome começou a aparecer como possível candidato por causa da liderança que exerce entre clubes de menor investimento. Ele, porém, garante que não pretende deixar o comando da Fênix para assumir a Federação.
Segundo Laércio, a discussão não deveria girar em torno de uma eventual candidatura sua, mas sobre a preparação do futebol pernambucano para o período posterior à gestão de Evandro Carvalho.
O atual presidente da FPF está há 16 anos no cargo. Para Laércio Guerra, justamente por esse longo período à frente da entidade, o futebol pernambucano precisa começar a discutir a transição.
O dirigente revelou que conversa com Evandro Carvalho sobre o assunto e questiona como será o futuro da Federação quando o atual mandatário não estiver mais no comando.
"Ninguém é eterno", afirmou Laércio durante a entrevista.
A preocupação, segundo ele, é evitar que a sucessão transforme os bastidores da Federação em uma disputa marcada por conflitos entre diferentes grupos.
O presidente do Retrô também fez questão de dizer que pretende ajudar independentemente de quem venha a ocupar o cargo.
Se a sucessão da FPF foi um dos pontos levantados por Laércio, o formato de gestão do Campeonato Pernambucano recebeu uma cobrança ainda mais direta.
O dirigente questionou a maneira como as receitas são distribuídas entre os participantes e afirmou que os clubes intermediários receberam R$ 90 mil, enquanto os três principais clubes do Estado, Sport, Náutico e Santa Cruz, dividiram R$ 1 milhão.
Para Laércio, a questão não é simplesmente quanto cada clube recebe, mas a falta de um planejamento que permita aos participantes saber antecipadamente quais serão as receitas da competição.
"É preciso um planejamento organizado para a competição", defendeu.
A crítica envolve principalmente a comercialização do Estadual. De acordo com o dirigente, começar uma competição sem que os clubes tenham clareza sobre sua situação comercial e financeira dificulta o planejamento das equipes.
Na avaliação do presidente do Retrô, o futebol pernambucano precisa abandonar um modelo baseado em repasses tratados como ajuda e caminhar para uma estrutura mais profissional.
A declaração coloca em discussão um dos principais desafios dos campeonatos estaduais: como aumentar as receitas sem comprometer a participação dos clubes de menor investimento.
Laércio reconheceu que Evandro Carvalho demonstra boa vontade na condução da Federação, mas afirmou que o cenário exige mais do que disposição pessoal.
Para o dirigente, é necessário construir uma estrutura capaz de dar previsibilidade aos clubes e fortalecer o próprio Campeonato Pernambucano.
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