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Jogadora do São Paulo acusa maqueiro de misoginia: "Ele me chamou de biscate"

Abalada após o ataque, a atleta do sub-20 chegou a passar mal no banco de reservas.

Cami Cardoso

21 de maio de 2026 às 08:14   - Atualizado às 08:43

Jogadora do São Paulo acusa maqueiro de misoginia: "Ele me chamou de biscate"

Jogadora do São Paulo acusa maqueiro de misoginia: "Ele me chamou de biscate" Foto: Reprodução

Nos acréscimos do segundo tempo da vitória do time sub-20 do São Paulo por 4 a 2 sobre a Ferroviária, a zagueira Sarah Aysha foi alvo de insultos misóginos proferidos por um maqueiro da equipe adversária.

O ataque verbal fez com que a arbitragem acionasse o protocolo de racismo e misoginia, paralisando o confronto em um momento de profunda indignação no gramado.

A agressão com teor misógino aconteceu no momento em que Sarah Aysha era retirada de campo na maca. Ao deixar o gramado, a atleta ouviu do funcionário a expressão "vai tomar no c*, biscate". Visivelmente abalada com a hostilidade, a defensora chegou a passar mal no banco de reservas. Em um desabafo forte ao canal Sportv, Aysha expôs a dor de enfrentar o machismo estrutural.

"A gente está numa categoria de base. A gente está aqui para aprender e, num momento daquele, o cara me mandar tomar no c* e me chamar de biscate, é inadmissível. A gente está treinando todo dia, o ano inteiro treinando longe da família para chegar um cara e me chamar de biscate fora do campo. É inadmissível."

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Protocolo acionado e registro em súmula

A postura firme da arbitragem liderada por Talita Ximenes de Freitas garantiu o cumprimento das diretrizes de proteção de gênero. A partida ficou paralisada por três minutos para que o protocolo contra misoginia fosse aplicado. Na súmula oficial, a árbitra identificou o agressor como Jair Modesto Palombo. 

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Relato da súmula

"Informo que aos 45+3 minutos do segundo tempo, a partida ficou paralisada por 3 minutos, após ser informada pelas jogadoras da equipe do São Paulo Futebol Clube, da ofensa proferida pelo maqueiro Sr. Jair Modesto Palombo, bem como o pedido de abertura do protocolo antirrascimo. Diante dos fatos, paralisei a partida e abri o protocolo conforme solicitado, prestando assistência à atleta ofendida, nº 4, Sr. Sarah Aysha Lopes Santos, da equipe do São Paulo Futebol Clube, a atleta relatou que o referido senhor proferiu as seguintes palavras: "vai tomar no c*, biscate". Informei as capitãs e a técnica da equipe visitante, aguardei a recuperação da atleta e, após questioná-la se estava apta a retornar à partida, a mesma informou que retornaria. Dessa forma, a partida foi reiniciada aos 45+6 minutos do segundo tempo", escreveu a árbitra.

A Ferroviária

Em nota oficial, o clube classificou o comportamento de seu funcionário como "inadmissível", pediu desculpas formais à zagueira são-paulina e prometeu punições rigorosas após apuração interna. A diretoria da equipe de Araraquara reforçou a necessidade de garantir um ambiente seguro, digno e livre de preconceitos para as mulheres no esporte.

"A instituição informa que a conduta será apurada internamente e que as medidas cabíveis serão adotadas. Reforçamos, ainda, nosso compromisso permanente com a construção de um futebol feminino cada vez mais seguro, respeitoso e digno para todas as pessoas envolvidas", diz parte da nota.

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