Cearense, que mora no Recife, Ivana Santos é líder do ranking nacional e busca apoio para disputar competição entre 24 e 28 de agosto.
Ivana Santos é atleta profissional de Taekwondo. Foto: Redes sociais
Aos 23 anos, Ivana Santos já carrega uma trajetória que vai muito além das medalhas conquistadas no taekwondo. Natural do Ceará e morando no Recife, a atleta profissional encontrou no esporte uma forma de mudar a própria vida e, atualmente, encara um novo desafio: conseguir recursos para continuar competindo e perseguindo o sonho de chegar aos Jogos Olímpicos de 2028.
A cearense treina nas dependências do Sport Recife desde o fim de 2023 e compete na categoria até 67kg adulto. Em pouco mais de dois anos no clube, construiu um currículo de respeito: é bicampeã brasileira, tricampeã da Copa do Brasil, bicampeã brasileira universitária, campeã Pan-Americana FISU América, vice-campeã Pan-Americana de mulheres, além de integrar a Seleção Brasileira e liderar o ranking nacional.
Mas, por trás das conquistas, existe uma realidade que ainda faz parte da rotina da atleta: muitas vezes, Ivana precisa encontrar alternativas para financiar a própria carreira.
A relação de Ivana com o taekwondo começou em um momento delicado da vida. Segundo a atleta, ela encontrou no esporte uma maneira de se afastar de uma situação de assédio que enfrentava dentro de casa.
"Eu comecei no esporte para fugir do assédio que eu sofria dentro de casa. Era como um escape que eu tinha para me manter longe de casa por mais tempo", contou.
O que inicialmente era uma forma de permanecer longe de casa acabou se transformando em paixão. Ivana começou a se destacar nas competições e avançou pelos diferentes níveis da modalidade, passando por torneios estaduais e nacionais até alcançar o cenário internacional.
A mudança para o Recife também representou um novo capítulo na carreira. Desde o final de 2023, a atleta utiliza as dependências do Sport para realizar seus treinamentos e buscar evolução dentro do taekwondo.
O trabalho desenvolvido nos tatames começou a produzir resultados cada vez maiores.
Aos 23 anos, Ivana já alcançou marcas importantes no esporte brasileiro.
Entre os principais resultados estão:
O desempenho colocou a atleta em uma posição privilegiada dentro da modalidade e aumentou também a expectativa em relação ao futuro.
A rotina de uma atleta de alto rendimento exige viagens, inscrições, alimentação, hospedagem, equipamentos e uma série de outros custos. No caso de Ivana, boa parte dessa estrutura precisa ser financiada por ela mesma.
Durante a preparação para as competições, a atleta passou a trabalhar com entregas por aplicativo utilizando uma bicicleta.
Ela costumava sair para trabalhar por volta do meio-dia ou depois dos treinamentos noturnos, justamente nos horários em que conseguia encontrar maior quantidade de corridas.
A estratégia virou uma maneira de transformar horas de trabalho em recursos para continuar dentro do esporte.
Agora, diante de uma nova competição internacional, Ivana iniciou uma campanha de arrecadação.
A próxima competição da atleta está marcada para acontecer entre os dias 24 e 28 de agosto no Peru. Para conseguir arcar com os custos da participação, Ivana criou um Pix solidário e busca apoio de pessoas que possam contribuir com qualquer valor.
As doações podem ser realizadas em seu perfil oficial no Instagram.
O ciclo que pode levar Ivana aos Jogos Olímpicos de 2028 já está em andamento. Entre 2025, 2026 e 2027, os atletas disputam competições que podem contribuir para a classificação olímpica.
O sistema de classificação do taekwondo para os Jogos envolve diferentes caminhos, incluindo posições no ranking e vagas obtidas por meio de eventos qualificatórios continentais, além de outros critérios específicos definidos para cada edição olímpica.
Apesar de treinar nas instalações do Sport, Ivana explica que o clube oferece o espaço para os atletas treinarem e se desenvolverem, mas os custos das competições ficam, em grande parte, sob responsabilidade dos próprios esportistas.
A Federação Brasileira de Taekwondo custeia algumas competições específicas, mas, segundo a atleta, normalmente é necessário que o próprio competidor arque com boa parte das despesas.
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