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Espanha 1x0 Argentina: La fúria vence na prorrogação e chega ao bi mundial depois de 16 anos

O atacante Ferran Torres balançou a rede e foi o herói da conquista que premiou o único time que sofre apenas um gol em toda competição.

19 de julho de 2026 às 19:47   - Atualizado às 22:26

Ferran Torres, autor do único gol da final e do título da Espanha.

Ferran Torres, autor do único gol da final e do título da Espanha. Foto: Digulgação/Fifa

A seleção espanhola conquistou a Copa do Mundo 2016, neste domingo, 19 de julho, com a vitória por 1 a 0 sobre a Argentina no MetLife Stadium, em East Rutherford. O atacante Ferran Torres balançou a rede na prorrogação depois do empate sem gols no tempo normal e foi o herói improvável do título que premiou o único time que jogou futebol nos arredores de Nova York.

Foi a segunda Copa do Mundo que conquista a seleção espanhola, premiada por seu paciente futebol de toque de bola. O título ficou com a equipe que mais quis jogar futebol e que só não ganhou nos 90 minutos por causa do desempenho notável do goleiro argentino Dibu Martínez, salvando a Argentina, que adotou postura extremamente defensiva e acovardada, como não havia tido no Mundial.

A Espanha voltou ao topo após 16 anos sem renunciar à sua identidade, mas reinventando-a. O toque de bola continuava ali, agora acompanhado por uma verticalidade quase cruel, por uma juventude que não conhecia o medo e por um talento capaz de acelerar o jogo sem perder a beleza, castigando o jogo pobre ofensivo dos argentinos.

É tão paciente e gosta de ter a bola esse time como a Espanha campeã do mundo de 2010, mas menos monótona e um pouco mais dinâmica e agressiva, comportamento que mostrou neste domingo diante de 80 mil torcedores, alguns deles ilustres, casos de Ronaldinho, Ronaldo, Xavi e Iniesta.

A taça é resultado do bem-sucedido projeto desenvolvido dentro da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), com integração entre as categorias de base e a equipe principal, e que teve Luis de la Fuente como a mais importante figura.

O técnico de trato afável ingressou na estrutura da RFEF em 2013, após ter comandado as categorias de base do Sevilla e a academia do Athletic Bilbao.

Passou pela seleção sub-19 e pela sub-21 e olímpica antes de chegar à equipe principal. Neste caminho, perdeu a final da Olimpíada de Tóquio para o Brasil, há cinco anos, mas ganhou a Eurocopa em 2024 e foi determinante no desenvolvimento de alguns dos mais importantes atletas da agora equipe campeã do mundo, como Fabián Ruiz, Dani Olmo, Mikel Oyarzabal, Unai Simón e Mikel Merino.

Sem tantos astros, os espanhóis derrubaram seleções estreladas: deram fim à jornada de Cristiano Ronaldo e Portugal nas oitavas, eliminaram a favorita França de Kylian Mbappé nas semifinais e agora impediram o sonho do bicampeonato da Argentina de Lionel Messi, este que encerra sua trajetória em Copas com um título e dois vices em seis participações.

Conteúdo Estadão

Como foi a final da Copa Mundo

A Espanha foi deixando seus rivais para trás na Copa com um ritmo cadenciado, paciência e segurança defensiva. No primeiro tempo, teve tudo isso, mas faltaram agressividade e finalizar melhor.

Rodri capitaneou uma Espanha que não sofreu, comandou as ações a partir do meio de campo e criou para ter vantagem. Não teve porque Yamal foi bloqueado na melhor finalização da etapa inicial, aos cinco minutos; Oyarzabal parou em Dibu Martínez e Cucurella arriscou chute cruzado para fora.

Em um jogo estudado, os espanhóis dominaram os argentinos, que sequer finalizaram, para fora ou em direção à meta, nos primeiros 45 minutos, algo raro em uma final de Copa. Messi, sempre rodeado por mais de um marcador, nada fez.

Lisandro Martínez foi determinante para manter o placar inalterado. O zagueiro argentino fez bem seu papel. Saiu da área para "caçar", adiantando-se nos botes, e usou a falta para impedir contra-ataque do adversário, lance que lhe rendeu amarelo. No fim, o defensor saiu lesionado e foi substituído pelo veterano Otamendi.

Scaloni, em sua escalação inicial, havia sacado Paredes para dar lugar a Nico Gónzalez, responsável por impedir as subidas de Lamine Yamal. Até funcionou, mas ele mudou de ideia e trocou o atacante do Atlético de Madrid pelo meio-campista do Boca Juniors no intervalo, restaurando a formação que começara a partida anterior, das semifinais.

Com Madonna, Shakira, BTS e Justin Bieber, a Fifa imitou o que fazem a NFL e os grandes espetáculos americanos de entretenimento ao promover um show do intervalo no meio dos dois tempos.

Entre as muitas celebridades no gramado, os únicos ex-jogadores que apareceram na cerimônia foram Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo, além de um vídeo de Pelé, retirado de um discurso que deu o Rei do Futebol em 1977. A cerimônia emulou um passado de glória da seleção brasileira que contrasta com os recentes fracassos das últimas gerações.

Embora os técnicos tenham alterado as equipes, o panorama seguiu o mesmo. Os primeiros minutos do segundo tempo foram a repetição do primeiro. Domínio espanhol, muito volume de jogo, mais de 500 passes trocados, mais de 10 finalizações e os argentinos acuados

Mas a seleção europeia não levava tanto perigo. Rondava a área, encontrava espaços e usava muito os lados do campo, sobretudo o direito, com Yamal. Faltavam efetividade e mais intensidade no jogo dos espanhóis, que, quando chegavam, paravam em Dibu.

Até os 35 minutos, foram quatro importantes intervenções do goleiro argentino, em dois cabeceios de Ferran Torres e Laporte e outros dois arremates de Dani Olmo e Pau Cubarsí. Quando não apareceu foi porque o time espanhol disparou para fora, com Ferran Torres e Rodri.

A Argentina, retraída, limitou-se a se defender e terminou os 90 minutos sem fazer Unai Simón trabalhar. Não produziu nada ofensivamente a equipe comandada por Lionel Scaloni e cometeu faltas em excesso, algumas violentas. Duas delas renderam amarelos e a consequente expulsão de Enzo Fernández no acréscimo do jogo.

Não fosse Dibu, a Argentina teria sido derrotada nos 90 minutos. O goleiro, que rejeitou passar por cirurgia na mão para poder jogar o Mundial, viu valer a pena o seu sacrífico. No acréscimo, apareceu mais duas vezes e voou no canto esquerdo para impedir o que seria um golaço de falta de Yamal.

Mais 30 minutos de pressão espanhola

Não foram 90 minutos de pressão espanhola. Foram mais de 100. Na prorrogação, o roteiro se repetiu, com a insistência dos europeus no ataque, lançando mão de todos os recursos que tinham diante de um rival fragilizado e com inferioridade numérica.

A rede balançou com Nico Williams no primeiro tempo da prorrogação, mas o árbitro esloveno Slavko Vincic enxergou falta em Otamendi antes de o atacante finalizar. Dibu seguiu defendendo o que podia, e a defesa albiceleste fazendo seu papel com competência.

Seria um castigo se a Espanha não marcasse sequer um gol na decisão em que apenas ela atacou e se aproximou do gol. Não foi porque, depois de 105 minutos, a seleção europeia pôs o pé na forma e deixou eufóricos os espanhóis nas arquibancadas.

O herói do título que premiou o único time a jogar foi Ferran Torres, que entrara na etapa final. O atacante estava no lugar e no momento certos quando viu Nico Williams ajeitar de cabeça para ele acertar chute com violência no meio do gol e correr para celebrar. Os argentinos, claro, decidiram atacar depois do gol sofrido. Na pressão, sem organização, criaram três chances e não fizeram. Não havia tempo para buscar o empate. A taça mudou de dono e voltou para a Espanha após 16 anos

Ficha Técnica

ESPANHA 1 x 0 ARGENTINA

ESPANHA - Unai Simón; Pedro Porro, Cubarsí, Laporte (Eric García) e Cucurella; Rodri (Zubimendi), Fabián Ruiz (Pedri) e Dani Olmo (Mikel Merino); Lamine Yamal, Oyarzabal (Ferran Torres) e Álex Baena (Nico Williams). Técnico: Luis de la Fuente

ARGENTINA - Dibu Martínez; Montiel (Molina), Romero (Medina), Lisandro Martínez (Otamendi) e Tagliafico; De Paul (Simeone), Enzo Fernández, Mac Allister e Nico González (Paredes); Messi e Julián Álvarez (Senesi). Técnico: Lionel Scaloni.

GOL - Ferran Torres, a um minuto do segundo tempo da prorrogação

CARTÕES AMARELOS - Lisandro Martínez, Romero, Scaloni, Mac Allister.

CARTÃO VERMELHO - Enzo Fernández.

ÁRBITRO - Slavko Vincic (Eslovênia).

PÚBLICO - 80.663 torcedores.

LOCAL - MetLife Stadium, em East Rutherford, Estados Unidos.

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