Um dos episódios que mais chamou a atenção dos investigadores ocorreu durante a partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina. O caso envolveu o atacante Folarin Balogun.
Jogadores espanhóis celembrar título da Copa do Mundo. Foto: Divulgação / Espanha
Segundo informações divulgadas pelo The Athletic, plataforma esportiva do The New York Times, sete partidas da Copa do Mundo de 2026 receberam alertas iniciais relacionados ao mercado de apostas esportivas. Os dados constam em um relatório preliminar elaborado pelo Grupo de Copenhague, organização internacional independente que atua no monitoramento da integridade de competições esportivas.
O documento informa que, das 104 partidas disputadas no torneio, sete foram classificadas com o chamado alerta amarelo, nível utilizado para indicar situações que merecem acompanhamento mais detalhado. O relatório destaca, porém, que essa classificação não representa comprovação de manipulação de resultados, mas apenas um sinal de que determinados acontecimentos precisam de análise mais aprofundada.
O sistema utilizado pelo Grupo de Copenhague trabalha com diferentes níveis de classificação. A categoria verde identifica partidas consideradas normais. Já o alerta amarelo representa o primeiro estágio de atenção. Acima dele aparecem o alerta laranja, que aponta uma suspeita considerada razoável, e o vermelho, reservado para casos com indícios mais consistentes de possível manipulação.
Segundo o levantamento citado pelo The Athletic, os sete jogos classificados com alerta amarelo passaram a integrar uma lista de partidas monitoradas por apresentarem movimentações ou circunstâncias consideradas incomuns.
Um dos episódios que mais chamou a atenção dos investigadores ocorreu durante a partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina. O caso envolveu o atacante Folarin Balogun.
De acordo com o relatório, o jogador recebeu um cartão vermelho no dia 2 de julho. Na mesma data, a plataforma de previsões esportivas baseada em criptomoedas Polymarket lançou uma aposta perguntando se Balogun estaria em campo na partida seguinte, diante da Bélgica.
Poucos dias depois, em 5 de julho, a punição aplicada ao atacante foi revertida. Com isso, o jogador ficou liberado para atuar normalmente na partida seguinte. A sequência dos acontecimentos passou a ser observada pelos responsáveis pelo monitoramento da integridade da competição.
O relatório reforça que esse episódio não comprova qualquer irregularidade envolvendo o atleta ou a partida. O caso apenas entrou na lista de situações consideradas relevantes para análise.
Além desse episódio, o documento cita outras ocorrências que despertaram atenção durante a Copa do Mundo de 2026.
Entre elas aparece o elevado volume de apostas registrado para o empate entre Cabo Verde e Espanha. Segundo o relatório, a plataforma Polymarket movimentou aproximadamente US$ 4,8 milhões em apostas relacionadas a esse resultado.
Outro fato monitorado envolveu a atuação da arbitragem de vídeo na partida entre Espanha e Arábia Saudita. O relatório menciona que o VAR levou cerca de três minutos e meio para revisar e anular um gol marcado por Ferrán Torres. A demora entrou na lista de situações observadas pelos analistas da competição.
O Grupo de Copenhague também acompanhou jogos da última rodada da fase de grupos em que determinados resultados poderiam beneficiar simultaneamente as equipes envolvidas. Situações desse tipo costumam receber atenção especial dos órgãos responsáveis pelo monitoramento da integridade esportiva.
Segundo o The Athletic, ao todo, o Grupo de Copenhague colocou 15 partidas sob monitoramento reforçado durante o Mundial. Nesse conjunto de jogos, os especialistas identificaram 12 ocorrências classificadas como potencialmente sensíveis.
Apesar dos alertas apresentados no relatório preliminar, a FIFA informou que não identificou casos suspeitos de manipulação de resultados durante a Copa do Mundo de 2026.
A entidade destacou a atuação da Força-Tarefa de Integridade da FIFA, criada em 2019 para acompanhar possíveis irregularidades relacionadas às competições internacionais. O grupo trabalha em conjunto com o Grupo de Copenhague no monitoramento de padrões incomuns de apostas, desempenho esportivo e movimentações financeiras ligadas aos jogos.
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