Evandro Carvalho, presidente da FPF Foto: Rafael Vieira/FPF
O Campeonato Pernambucano de 2026, um dos torneios estaduais mais antigos do Brasil, chega a mais uma edição envolto em um debate cada vez mais inevitável: a desvalorização estrutural do futebol local. Mesmo com tradição centenária, rivalidades históricas e torcidas expressivas, o Estadual segue sendo tratado como um produto de baixo retorno financeiro e comercial, o que impacta diretamente clubes grandes e pequenos.
A competição contará, mais uma vez, com transmissão da TV Globo, além do Canal GOAT e dos canais oficiais da Federação Pernambucana de Futebol (FPF) no YouTube. A presença em diferentes plataformas amplia o alcance, mas não se converte em valorização econômica real. Para os clubes, a visibilidade não paga as contas.
Náutico, Santa Cruz e Sport, os três principais clubes do estado recebem cerca de R$ 350 mil como cota de participação para disputar todo o campeonato. O valor é considerado irrisório diante dos custos operacionais de uma temporada, que envolvem folha salarial, logística, segurança, manutenção de estádios e despesas administrativas.
O cenário se agrava com a ausência total de premiação financeira ao campeão, algo que já se tornou comum até em estaduais de menor apelo em outras regiões do país. Na prática, o clube que vence o Pernambucano recebe apenas o troféu e o direito de comemorar, sem qualquer retorno financeiro direto.
Quando comparado aos campeonatos Paulista, Carioca, Mineiro e Gaúcho, o abismo financeiro é evidente. Nessas competições, os grandes clubes recebem milhões de reais em cotas de TV, além de bônus por desempenho, premiações por título e contratos comerciais robustos.
O Campeonato Paulista é o exemplo mais emblemático: transformou-se em um produto altamente rentável, com forte participação de patrocinadores, ampla exploração de direitos comerciais e estratégias modernas de marketing. No Nordeste, inclusive, alguns estaduais de mercados menores já conseguem negociações mais vantajosas do que Pernambuco.
A realidade levanta questionamentos sobre o modelo de gestão e comercialização do Campeonato Pernambucano. Apesar do potencial de audiência, da força das torcidas e do peso histórico dos clássicos, o torneio parece estagnado. O interesse de patrocinadores é limitado e, quando existe, os valores são modestos, refletindo a percepção de baixo retorno.
Para os clubes do interior, a situação é ainda mais delicada. As cotas são simbólicas, e a sobrevivência depende quase exclusivamente de bilheteria, apoio local e acordos pontuais. Já para Náutico, Santa Cruz e Sport, o Estadual se tornou um torneio deficitário, disputado mais por obrigação esportiva do que por estratégia financeira.
Falar em “decadência do Campeonato Pernambucano” deixou de ser exagero retórico e passou a ser sustentado por números concretos. Sem valorização comercial, sem premiação e com cotas que não cobrem os custos básicos, o torneio perde competitividade, atratividade e relevância nacional.
Enquanto outros estados transformam seus campeonatos em ativos valiosos, Pernambuco segue tratando um de seus maiores patrimônios esportivos como um produto secundário. O resultado é um campeonato caro para quem joga, pouco atrativo para quem investe e cada vez mais distante do protagonismo que já teve no futebol brasileiro.
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O único gol da semifinal foi marcado no segundo tempo pelo jogador Gustavo Maia.
As equipes se enfrentam nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, às 21h30, no Estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre, pelo Brasileirão.
As equipes se enfrentam nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, às 19h30, no Maracanã, pelo Brasileirão.
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