O anúncio marca o Dia Internacional contra a LGBTQIAPN+fobia (17 de maio) e reúne orientações para fortalecer o respeito às identidades e uma cobertura jornalística voltada aos direitos humanos.
ong lança guia sobre genero e comunicação inclusiva Foto: Divulgação
Para marcar o Dia Internacional contra a LGBTQIAPN+fobia (17 de maio), a ONG Gestos — Soropositividade, Comunicação e Gênero, que atua, há 33 anos, no fortalecimento dos direitos humanos, lança o “Glossário da Diversidade”, um livreto informativo criado para qualificar o uso de termos relacionados às identidades, orientações e expressões da comunidade LGBTQIAPN+.
Desenvolvido como um instrumento prático e acessível, o material reúne definições, exemplos e orientações sobre conceitos frequentemente atravessados por desinformação, preconceitos e usos inadequados da linguagem. O objetivo é contribuir para uma comunicação mais precisa, respeitosa e responsável em diferentes espaços sociais, incluindo o jornalismo.
“O modo como nomeamos pessoas e experiências tem impacto na forma como direitos são reconhecidos ou negados. Em um contexto de avanço dos discursos de ódio e da desinformação, comunicar com responsabilidade também é uma forma de enfrentar violências”, destaca Juliana Cesar, coordenadora de Articulação Política, Relações Internacionais e Comunicação da Gestos.
Ao longo de 28 páginas, o glossário apresenta explicações sobre termos como identidade de gênero, orientação afetivo-sexual, expressão de gênero, pessoas cisgênero, transgênero, não binárias, intersexo, queer, assexualidade, pansexualidade, entre outros. Também traz orientações práticas sobre uso de pronomes, linguagem inclusiva e nome social, além de exemplos de construções linguísticas mais acolhedoras e menos excludentes.
Entre os conteúdos presentes no livreto, estão explicações sobre a diferença entre sexo, gênero e sexualidade; orientações para evitar termos inadequados, como o uso de “opção sexual” no lugar de “orientação afetivo-sexual”; e recomendações objetivas para o cotidiano da comunicação e das redações. O material reforça, por exemplo, que “errar pode acontecer, mas insistir no erro é desrespeito” ao tratar do uso correto de pronomes e identidades.
A publicação também contextualiza direitos garantidos em lei e lembra que, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equipara a LGBTQIAPN+fobia ao crime de racismo. O glossário destaca ainda que a discriminação por orientação sexual, identidade ou expressão de gênero constitui violação de direitos humanos.
Para a Gestos, o “Glossário da Diversidade” funciona também como uma ferramenta de apoio ao exercício profissional do jornalismo, podendo ser incorporado ao cotidiano das redações como um manual de referência para uma cobertura ética, cuidadosa e comprometida com os direitos humanos.
“O glossário não pretende encerrar debates nem impor respostas definitivas. A própria publicação reconhece que a língua está em constante transformação. O principal compromisso do material é incentivar a escuta, o aprendizado contínuo e o respeito às diferentes vivências”, reforça Juliana.
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