Montagem premiada do Grupo Carmin acompanha uma seleção de atores que coloca identidade e preconceito em discussão.
15 de outubro de 2026 às 11:05 - Atualizado às 11:14
"A Invenção do Nordeste" inicia temporada na Caixa Cultural Recife. Foto: Carlos Gomes/ Divulgação
Ser nordestino não basta: é preciso corresponder à imagem que esperam de um nordestino. Essa contradição conduz o espetáculo “A Invenção do Nordeste”, que inicia temporada nesta quinta-feira, 15 de outubro, na Caixa Cultural Recife. A montagem do Grupo Carmin, do Rio Grande do Norte, utiliza o humor para questionar representações que reduzem a diversidade da região a um conjunto de clichês.
As apresentações seguem até 24 de outubro, de quinta-feira a sábado, sempre às 19h30. Os ingressos custam R$ 30, a inteira, e R$ 15, a meia-entrada. Clientes Caixa têm gratuidade na sessão de abertura, mediante retirada prévia de ingresso.
Na história, uma grande produtora contrata um diretor para escolher um ator nordestino capaz de interpretar um personagem também nordestino. Dois candidatos chegam à etapa final e passam por sete semanas de preparação.
Durante o processo, surgem perguntas sobre cultura, história pessoal e pertencimento. A exigência de representar uma identidade supostamente única expõe as limitações de imagens construídas sobre milhões de pessoas com experiências distintas.
A dramaturgia é assinada por Henrique Fontes e Pablo Capistrano, com direção de Quitéria Kelly. O trabalho tem inspiração livre no livro “A Invenção do Nordeste e Outras Artes”, do historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior.
A pesquisa que deu origem à peça foi motivada por manifestações xenófobas nas redes sociais durante as eleições de 2014. A partir delas, o grupo investigou mecanismos históricos, culturais e estéticos que ajudaram a consolidar uma visão simplificada do Nordeste.
O resultado chegou ao palco em 2017 e conquistou reconhecimentos como o Prêmio Shell de melhor dramaturgia e o Cesgranrio de melhor espetáculo.
Ao longo da circulação pelo país, a montagem incorporou observações e experiências dos integrantes do Carmin. O espetáculo também convida o público a perceber como os estereótipos são reproduzidos pelos próprios nordestinos, colocando em discussão discursos que parecem familiares, mas carregam preconceitos.
As apresentações aos sábados contarão com interpretação em Libras. A programação também prevê bate-papos após os espetáculos com esse recurso de acessibilidade.
A classificação indicativa da temporada no Recife é de 14 anos, e a duração é de aproximadamente 60 minutos. A Caixa Cultural fica na Avenida Alfredo Lisboa, 505, no Bairro do Recife. Os ingressos podem ser consultados na bilheteria digital da Sympla.
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