Espetáculo criado para o festival reuniu sucessos da cantora, balé, elementos audiovisuais e um tributo à história do brega pernambucano.
14 de setembro de 2026 às 10:45 - Atualizado às 10:46
Priscila Senna no Rock in Rio. Foto: Reprodução/Redes sociais
A trajetória iniciada em Águas Compridas, em Olinda, ganhou um novo capítulo no Rock in Rio. Priscila Senna estreou no festival no sábado, 12 de setembro, levando o brega pernambucano ao Palco Favela e homenageando Reginaldo Rossi.
A cantora apresentou o espetáculo inédito “No Alto da Minha História”, desenvolvido especialmente para a Cidade do Rock. O show reuniu música, dança, cenografia e recursos audiovisuais para contar parte da caminhada artística construída por Priscila ao longo de quase duas décadas.
Marcada para as 16h50, a apresentação também representou a primeira participação de uma artista do brega na programação do Rock in Rio. Antes de entrar no palco, Priscila admitiu que ainda estava nervosa, mas destacou a responsabilidade de abrir espaço para outros nomes do gênero.
O repertório foi pensado para apresentar diferentes momentos da carreira da cantora a um público amplo. Canções como “Alvejante” e “Novo Namorado” apareceram ao lado de faixas que ajudaram a consolidar Priscila como uma das principais vozes do brega contemporâneo.
A produção contou com músicos, instrumentistas de formação clássica e bailarinos. O figurino também incorporou referências à trajetória da artista e ao universo visual do gênero, reforçando a proposta autobiográfica do espetáculo.
A apresentação combinou o romantismo característico do brega com elementos de música pop. As letras sobre separação, desejo e recomeço foram acompanhadas pelo público, que recebeu um gênero surgido e fortalecido principalmente nas periferias pernambucanas.
Um dos eixos do espetáculo foi a reverência a Reginaldo Rossi. Priscila reconhece o cantor recifense como uma figura decisiva para a popularização do brega e para a abertura de caminhos que permitiram a chegada de outros artistas a grandes palcos.
O tributo incluiu músicas como “Leviana”, “Garçom” e “Em Plena Lua”, associadas ao repertório do Rei do Brega. A escolha aproximou duas gerações e colocou a história do movimento no centro da estreia.
Mais do que uma referência artística, a homenagem reforçou o caráter coletivo da apresentação. Ao ocupar o Rock in Rio, Priscila procurou representar uma cena musical que durante anos enfrentou preconceito e permaneceu distante dos principais festivais nacionais.
A chegada ao festival ocorre em um período de expansão da carreira da pernambucana. Priscila ganhou projeção inicialmente à frente da banda Musa e ampliou o alcance do trabalho solo com shows, projetos audiovisuais e parcerias nacionais.
Entre os marcos recentes está a gravação de um DVD comemorativo de 15 anos de carreira no Marco Zero do Recife. O evento reuniu uma multidão e contou com participações de nomes como Simone Mendes e Maiara & Maraisa. A cantora também gravou com Anitta, parceria considerada inédita para a projeção nacional do brega pernambucano.
Antes do reconhecimento, Priscila enfrentou dificuldades para divulgar o próprio trabalho e chegou a percorrer longos trajetos de bicicleta para visitar estúdios e emissoras de televisão.
No Rock in Rio, essa história deixou de ser apenas lembrança e se tornou parte do espetáculo. Ao subir ao Palco Favela, a cantora transformou uma conquista individual em vitrine para o brega e defendeu que sua estreia seja seguida pela presença de outros representantes do movimento nas próximas edições.
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