Igreja do Sagrado Coração de Jesus Foto: CBN/Caruaru
Você sabia que Pernambuco abriga uma verdadeira Atlântida brasileira? Em Petrolândia, sertão do estado, restaram as ruínas submersas da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, imersa durante a criação da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (Itaparica), na década de 1980. Em períodos de estiagem, a antiga igreja emerge parcialmente das águas, criando um cenário surreal que mistura história, memória e turismo.
A cidade original foi enterrada sob o lago da usina em 1988, obrigando a relocação de cerca de 10.500 famílias. Desde então, a torre da igreja tem emergido como símbolo dessa antiga Petrolândia — resta apenas parte da nave, com arcos e paredes que evocam o passado. Em 2014, quando o nível da represa baixou, a estrutura se tornou um cartão-postal para turistas e fotógrafos.
A 430km de Recife, o local virou ponto turístico popular: visitantes tomam barcos, catamarãs ou mergulham para admirar a arquitetura “fantasma” sob a água. Guias locais relatam que a experiência de nadar ao lado de ruínas é única e emocional, conectando passado e presente.
Entretanto, o que intriga tanto quanto o visual são os desafios associados ao monumento. O Instituto Geográfico e Histórico de Petrolândia (IGHP) e a Fundarpe alertam que a igreja submersa corre risco de desabamento — o que levou à instalação de boias isolantes em 2023. Mesmo assim, visitas e mergulhos são proibidos por razões de segurança.
Desde 2020, a Igreja submersa de Petrolândia está em processo de tombamento pela Fundarpe. Em 2025, ações da prefeitura impedem o acesso a embarcações próximas às ruínas, conforme normas da Chesf, responsável pela área. O objetivo é preservar o patrimônio histórico e evitar acidentes graves.
A estrutura também chama atenção na cultura local. Em 2021, o DJ Bhaskar — irmão do famoso Alok — gravou um set nas ruínas, impulsionando campanhas pela preservação e conscientização sobre a importância do local.
Especialistas afirmam que a Igreja submersa de Petrolândia é mais que um cenário curioso: é um marco de resistência cultural e recordação da população realocada. Hoje, Petrolândia vive do turismo alternativo e da natureza: além da igreja, visita-se a Ilha de Rarrá com suas águas cristalinas e a Praia do Sobrado, chamada de “Noronha do sertão”.
Com suas ruínas misteriosas surgindo das águas, a Igreja submersa de Petrolândia une história, beleza e problemática, oferecendo um retrato emocionante da relação entre progresso, memória e preservação cultural.
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