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TDAH e Autismo: entenda por que eles não são mais comuns, apenas mais reconhecidos

O aumento nos diagnósticos de TDAH e Autismo reflete avanços nos critérios e na conscientização, e não um crescimento real dos casos.

Joice Gomes

06 de novembro de 2025 às 10:00

Diagnósticos crescentes de TDAH e Autismo são resultado de melhor reconhecimento e informação.

Diagnósticos crescentes de TDAH e Autismo são resultado de melhor reconhecimento e informação. Imagem de Freepik

Nos últimos anos, o que muitas pessoas percebem como um aumento expressivo nos casos de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA) não se deve exatamente a um crescimento real dessas condições na população, mas a uma mudança significativa na forma como são diagnosticados e compreendidos. Essa ampliação do reconhecimento, com critérios diagnósticos mais amplos, melhor acesso a informações e serviços, tem sido responsável por tornar mais visíveis esses transtornos neurodesenvolvimentais.

O que são TDAH e Autismo?

O TDAH é um transtorno caracterizado por sintomas como desatenção, impulsividade e hiperatividade, com impacto na escola, trabalho e nas relações pessoais. Já o TEA engloba uma gama diversa de manifestações, caracterizadas por dificuldades na comunicação social e comportamentos repetitivos ou restritivos. Apesar das diferenças, essas duas condições podem ocorrer juntas em um mesmo indivíduo, influenciando a complexidade do quadro clínico.

Por que parecem mais comuns?

Especialistas apontam que a impressão de que há mais pessoas com TDAH e autismo hoje surge do avanço nos critérios diagnósticos e do crescimento da conscientização sobre esses transtornos. Segundo o psiquiatra Luis Augusto Rohde, renomado especialista em saúde mental, hoje o tema é mais debatido e estudado, os critérios para identificar esses quadros são mais amplos e as pessoas têm mais facilidade para buscar ajuda. Isso faz com que diagnósticos antes não realizados ou confundidos passem a ser feitos com precisão.

Além disso, o acesso mais amplo a serviços de saúde mental e à informação fortalece o reconhecimento dos sintomas, permitindo que mais pessoas, incluindo adultos e mulheres (que antes eram menos diagnosticadas), recebam o diagnóstico correto.

Relação genética entre TDAH e Autismo

A ciência revela uma ligação genética importante entre TDAH e TEA. Estima-se que muitos genes estejam envolvidos em ambos os transtornos, o que explica por que eles podem ocorrer simultaneamente ou em membros da mesma família. Estudos indicam que de 30% a 80% das pessoas com autismo também apresentam sintomas de TDAH, reforçando que esses transtornos compartilham raízes neurobiológicas.

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Essa sobreposição genética e neurobiológica também ajuda a explicar a complexidade dos tratamentos e a necessidade de abordagens personalizadas, pois os sintomas podem variar bastante entre os indivíduos.

Fatores ambientais e neurodesenvolvimento

Além da genética, fatores ambientais durante a gravidez e o parto também influenciam o desenvolvimento desses transtornos. Por exemplo, idade avançada dos pais, exposição a toxinas, consumo de álcool e tabaco durante a gestação, infecções e complicações no parto são relacionados a um risco maior. Entre as causas do TDAH, destacam-se ainda trauma cerebral e exposição a substâncias tóxicas na infância.

Esses elementos não representam causas diretas para o aumento dos diagnósticos na população, mas indicam a complexidade do processo de neurodesenvolvimento, que pode resultar em diferentes manifestações clínicas.

Por que a percepção de “explosão” de casos?

O que muitas pessoas chamam de “explosão” nos casos de TDAH e autismo é, na verdade, o reflexo dos avanços na medicina e na indústria do conhecimento. O que antes era mal interpretado ou subdiagnosticado hoje é claramente identificado. Essa transformação se deu também pela:

  • Maior divulgação sobre os sintomas e sinais dessas condições nas escolas e famílias.
  • Educação de profissionais da saúde e da educação para identificação precoce.
  • Inclusão do espectro autista com critérios mais amplos, englobando casos que antes não eram reconhecidos.
  • Redução do estigma, permitindo que indivíduos busquem ajuda sem medo.

Impactos dessa mudança no diagnóstico

Com mais diagnósticos, crescem numa mesma proporção as demandas por tratamento, acompanhamento clínico, suporte educacional e inclusão social, o que desafia os sistemas públicos e privados de saúde. Também é necessário desmistificar essas condições para que haja aceitação da neurodiversidade, respeitando as diferenças e apoiando as potencialidades dos indivíduos.

O reconhecimento aumentado também traz desafios sociais e psicológicos para as famílias, que precisam se adaptar e buscar informações confiáveis para lidar com essas condições.

O que diz a ciência e a sociedade atual

A neurodiversidade é um conceito forte na atualidade que valoriza as diferenças neurológicas como variações naturais do cérebro humano. Essa visão evita a patologização exagerada, promovendo a inclusão e a aceitação.

Estudos científicos recentes reforçam que a maior parte das causas do TDAH e autismo é genética, em torno de 80%, com fatores ambientais também significativos. As pesquisas avançam para identificar as variações genéticas específicas que influenciam essas condições, contribuindo para tratamentos mais eficientes e personalizados.

Convivendo com TDAH e Autismo

Para quem convive com TDAH e autismo, o diagnóstico precoce é crucial para garantir intervenções adequadas, que podem incluir terapias comportamentais, acompanhamento psicológico, suporte educacional e, em alguns casos, medicações.

Cada pessoa tem um perfil único, e a personalização do tratamento é essencial para melhorar a qualidade de vida, a independência e a inclusão social.

O crescimento aparente dos diagnósticos de TDAH e autismo não indica uma epidemia, mas sim o avanço da ciência, da medicina e da conscientização social. Com mais informação, diagnóstico e suporte adequados, é possível transformar vidas e ampliar o olhar da sociedade para a diversidade neurológica.

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