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Sonho de Valsa deixa de ser "bombom", mas continua reinando no paladar e na história brasileira

Ícone do romance e da tradição, famoso doce muda classificação e fórmula, mas segue como símbolo afetivo que atravessa gerações

Joice Gomes

22 de julho de 2025 às 19:30   - Atualizado em 23 de julho de 2025 às 18:06

Mesmo sem a etiqueta "bombom", o Sonho de Valsa permanece um símbolo de romance e afeto no Brasil.

Mesmo sem a etiqueta "bombom", o Sonho de Valsa permanece um símbolo de romance e afeto no Brasil. Foto: Reprodução

O que faz de um doce algo eterno?

O sabor, claro. Mas também a memória. A embalagem. O som do papel ao girar. A sensação de abrir algo que parece dizer: "isso é só pra você".

O Sonho de Valsa, um dos chocolates mais queridos do Brasil, está mudando. E não é só a embalagem.

Oficialmente, ele não é mais um bombom.

A alteração parece simples, mas carrega implicações profundas: econômicas, culturais e emocionais.

Criado em 1938, o doce agora é classificado como wafer. A mudança, embora técnica, reabre um debate sobre o que realmente nos conecta a certos produtos.

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A mudança que começou no rótulo

Deixar de ser bombom não foi apenas uma decisão de marketing. Foi uma estratégia de sobrevivência.

Ao ser reclassificado como wafer, o produto escapa do imposto de 5% do IPI. Isso representa uma economia significativa para a fabricante.

Para o consumidor, nada muda no paladar — mas o sentimento? Esse, talvez, nunca mais seja o mesmo.

De doce refinado a símbolo romântico

Nos anos 1940, o Sonho de Valsa era item de bombonière elegante. Era vendido a granel, pensado para o público feminino e carregava uma delicadeza rara.

A embalagem rosa, com casal dançando e notas musicais discretas, virou marca registrada. Assim nasceu o mito.

O recheio de castanha de caju envolto em wafer e chocolate se manteve inalterado por décadas.

Algumas curiosidades que quase ninguém sabe:

  • O nome vem da opereta austríaca Ein Walzertraum — “Um Sonho de Valsa”.
  • A fórmula original permanece praticamente intacta até hoje.
  • Já foram consumidas mais de 21 bilhões de unidades.
  • Em 2019, a embalagem foi modernizada com o slogan “Mudei porque te quero”.

E tem mais: versões brancas, recheadas, minis e até ovos de Páscoa ajudaram a manter o doce sempre atual.

O sabor da infância, agora com nova identidade

A reclassificação fiscal pode parecer fria e burocrática. Mas afeta mais do que números.

Para muita gente, o Sonho de Valsa era o bombom do primeiro amor. Do aniversário na escola. Da visita da avó.

Mudar o nome é, para alguns, quase como mudar a história.

E o consumidor, o que ganha?

Na prática, o sabor continua o mesmo.

A crocância, o recheio, o ritual de abrir — nada muda.

Mas ao sair da categoria “bombom”, o produto também muda de prateleira, de discurso e talvez até de valor simbólico.

É uma adaptação aos tempos modernos.

E uma tentativa da indústria de sobreviver sem perder a alma.

Um sonho que segue vivo — com ou sem etiqueta

A nova definição técnica não apaga o sentimento.

O Sonho de Valsa pode não ser mais um bombom no papel, mas continua sendo um doce emocional no coração de milhões.

No fim, talvez não importe o que está escrito na embalagem.

Importa o que sentimos ao provar.

E nesse ponto, o sonho continua igual.

Eterno, delicado, só nosso.

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