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Pesquisadores encontram substância no veneno de escorpião que mata células do câncer de mama

A descoberta sobre o veneno ocorreu na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP).

Isabella Lopes

19 de junho de 2025 às 15:29   - Atualizado em 20 de junho de 2025 às 11:54

Escorpião.

Escorpião. Foto: Freepik

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma molécula promissora no veneno de um escorpião encontrado na Amazônia. Em testes laboratoriais, o composto apresentou atividade semelhante à do paclitaxel, medicamento amplamente utilizado no tratamento do câncer de mama.

A descoberta ocorreu na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP). Os cientistas isolaram a toxina da peçonha do Brotheas amazonicus, escorpião típico da região amazônica. O composto recebeu o nome de BamazScplp1 e, durante os testes in vitro, demonstrou capacidade de destruir células tumorais, com um mecanismo de ação semelhante ao do paclitaxel.

A professora Eliane Candiani Arantes, coordenadora do estudo, explicou que o composto já foi identificado em outras espécies de escorpiões, mas sua ação no combate às células cancerígenas do tipo mamário ainda não havia sido documentada com esse perfil de atividade.

“Conseguimos identificar uma molécula na espécie desse escorpião amazônico que é semelhante à encontrada em peçonhas de outros escorpiões e com ação contra as células do câncer de mama”, afirmou.

Os primeiros resultados foram apresentados na FAPESP Week França, evento realizado em Toulouse entre os dias 10 e 12 de junho. A pesquisa é resultado de uma colaboração entre a USP, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e a Universidade do Estado do Amazonas.

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A atuação da molécula foi observada principalmente através de necrose das células tumorais. Com base nesses resultados, os cientistas agora tentam desenvolver uma forma de reproduzir o composto em ambiente laboratorial, sem depender da extração direta do veneno.

Os pesquisadores reforçam que o estudo não envolve o uso do veneno de forma bruta. A aplicação terapêutica da substância se dá por meio de uma molécula purificada e isolada em condições específicas. O contato direto com escorpiões representa risco à saúde e não possui qualquer efeito medicinal conhecido fora do contexto científico.

Sobre o trabalho 

O trabalho se insere em uma linha de pesquisa que busca na biodiversidade brasileira alternativas para tratamentos inovadores. O próximo passo da equipe é realizar testes mais avançados com a BamazScplp1, avaliando segurança e eficácia em modelos mais complexos. Caso os dados continuem positivos, o composto pode avançar para estudos clínicos.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo que mais causa mortes entre as mulheres brasileiras. Os principais sintomas envolvem o aparecimento de nódulos, alterações na pele da mama e secreções no mamilo. A detecção precoce e os avanços nos tratamentos são decisivos para o aumento das chances de cura.

O estudo com a toxina do Brotheas amazonicus representa uma nova frente na busca por terapias alternativas e menos invasivas. O potencial desse composto reforça a importância de valorizar a biodiversidade como fonte de soluções científicas para problemas de saúde pública.

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